O prefeito de Barra do Corda, Avelar Sampaio, negou qualquer envolvimento no episódio com o radialista Chico Bocão, que teria sido agredido recentemente por seis homens quando chegava a rádio comunitária FM Jaborandi, naquela cidade. De acordo com a polícia, o radialista teria sido espancado por seis homens encapuzados, que ocupavam três motocicletas e fugiram com a aproximação de populares. Curiosamente, em menos de 10 minutos políticos adversários do prefeito colocaram um avião à disposição do radialista para levá-lo para São Luís, quando a viagem normalmente demora cerca de duas horas.
Para o prefeito, as agressões sofridas pelo radialista foram forjadas por seus adversários políticos de Barra do Corda, liderados pelo ex-prefeito Manoel Mariano, o Nenzim, e o deputado Rigo Teles, com a participação da suposta vítima, que apresentava apenas ferimentos leves, embora tenha dito que teria levado coronhadas e pauladas violentas.
Segundo Avelar, estranhamente, Manoel Mariano Nenzim foi a primeira pessoa primeiro a visitar o radialista no hospital e providenciou um avião para socorrê-lo. A aeronave chegou em menos de 10 minutos, quando a viagem demora cerca de duas horas. Disse ainda que Chico Bocão sempre o respeitou, embora fale mal de todos os políticos da região. "Ele nunca me atingiu porque ignoro as suas criticas", frisou para lembrar que, recentemente, a mando de adversários políticos, ele atacou a administração municipal por causa de uma auditoria nas contas da prefeitura. Avelar disse ainda que faz questão que a agressão ao radialista seja apurada nos mínimos detalhes para que as investigações provem sua inocência.
Avelar lembrou ainda que, recentemente, desconhecidos tentaram matar o vereador Valter Muniz e colocaram na imprensa de São Luís de que ele estaria por trás do atentado. A própria vítima revelou, dias depois, que sabia que a tentativa de assassinato teria sido tramada pelo deputado Rigo Teles e o ex-prefeito Nenzim, durante um encontro num posto de combustível do ex-prefeito. Depois que o vereador foi baleado, o deputado Rigo Teles foi o primeiro a visitar a vítima no hospital. "Tem gente na cidade que supõe que o mesmo grupo que tentou matar Valter Muniz foi que combinou as agressões ao radialista e espalharam que ele foi agredido a mando do prefeito", disse.
Segundo o prefeito, a população que conhece a trajetória violenta de Nenzim sabe que ele mandou matar o sem-terra identificado como Miguelzinho e depois foi ao velório. "Eles também mandaram matar o filho de João Bossa Nova. Esse povo é acostumado com violência porque nunca se acostumou em perder a eleição", frisou.
Sobre a auditoria federal nas contas da prefeitura de Barra do Corda, Avelar Sampaio disse estar tranqüilo, pois ainda tem 16 meses de mandato. "Se forem constatados erros técnicos, iremos sanar o problema, pois tenho certeza de que jamais será encontrado desvio de dinheiro público", garantiu.
DENÚNCIAS - Ex-cabo eleitoral do ex-prefeito Manoel Mariano, o Nenzim, com quem trabalhou duas vezes, Antônio Habib Queiroz Moreira, o Dilo, denunciou as maracutaias armados pelo ex-patrão, principalmente depois das derrotas nas urnas, citando que dois carros - uma caçamba e uma D-20 preta de cabine dupla, que estariam em São Luís. Segundo ele, os carros teriam sido apreendidos pela Polícia Civil, depois de comprados com cheques roubados. Um dos responsáveis pela venda dos veículos, natural de Goiânia, teria sido executado por pistoleiros quando almoçava em um restaurante em Teresina. O crime até hoje permanece impune.
Dilo, que afirma não ter recebido os salários pelos serviços prestados, inocentou o prefeito Avelar Sampaio no episódio que culminou com o espancamento do radialista Chico Bocão e denunciou o desvio de R$ 1 milhão conseguido por um deputado federal para a execução de obras em Barra do Corda. Ele confessou que a mando do ex-prefeito, quando era funcionário da prefeitura, levou uma carga de manteiga vencida para ser enterrada. O produto se destinava ao programa da Merenda Escolar e que não foi distribuída para as escolas da rede municipal.
Ao lembrar o assassinato do sem terra identificado como Miguelzinho, ele disse que momentos depois do assassinato o filho do ex-prefeito, Pedro Mariano (que foi preso como suspeito) foi à casa da vítima levar açúcar, café e vela para o velório. Durante a visita, a vítima sangrou pela nariz, chamando a atenção dos presentes e uma mulher não identificada teria dito que o assassino estaria nas proximidades. A frase foi o suficiente para que Pedro Mariano se retirasse do local.
Dilo aproveitou para fazer um comentário indignado. "Como é que se mata um pai de família, um coitado. Ninguém pode fazer isso. O maior crime que existe é se matar uma pessoa e ir ao velório chorar pelo defunto. Isso é a maior injustiça do mundo. Meus amigos, isso é triste".