A semana passada foi marcada por dois episódios que abalaram a base de apoio do governador José Reinaldo Tavares. O estopim que resultou na implosão, seguida de uma lavagem de roupa suja no plenário da Assembléia Legislativa, foi aceso por dois auxiliares próximos e de confiança do governador do Maranhão. Irritado com o que chamou de "projeto pessoal" do gerente Metropolitano Ricardo Murad, o deputado federal Ribamar Alves anunciou em carta aberta que estava trocando a base aliada pelo fortalecimento do PSB, que também deixou de participar do governo. Na Assembléia Legislativa, o deputado pefelista Max Barros, com o apoio de vários parlamentares da base governista, disparou pesado contra o chefe da Casa Civil, Carlos Brandão, acusado de agir contra os prefeitos que fizeram parte do projeto político que levou José Reinaldo ao comando do Estado.
Aliado de primeira hora e eleito com o apoio da senadora Roseana Sarney, o deputado Max Barros, em inflamado discurso, acusou Carlos Brandão de nepotismo ao garantir que ele colocou familiares e correligionários políticos em cargos estratégicos. Lembrando que é filiado ao PFL e que trabalhou na campanha para ajudar a eleger José Reinaldo, disse que não poderia concordar com o que chamou de "loteamento" e com o uso indevido da máquina governamental para perseguir quem ajudou eleger José Reinaldo.
NEPOTISMO - Em tom de desafio, Max Barros relacionou todos os cargos e os nomes de parentes do chefe da Casa Civil que ocupam cargos estratégicos no governo. Citou, entre outros, o irmão e gerente regional de Codó, José Henrique Brandão, ex-prefeito de Colinas, condenado pelo Tribunal de Contas da União por desvio de recursos públicos. Ele estaria aproveitando o uso da máquina administrativa para disputar a sucessão municipal do ano que vem. Segundo Barros, "os atos do gerente representam um absurdo e todos sabem o mal que este cidadão fez para o município". Ele acrescentou ainda que, por conta da sucessão Carlos Brandão estaria perseguindo a administração do prefeito Ewerton para desgastálo junto à opinião pública.
Em tom de desabafo, o parlamentar pefelista revelou que a amizade entre Carlos Brandão e o governador José Reinaldo estaria preocupando a população de Colinas, principalmente porque José Henrique vem anunciando, nos últimos meses, que ele seria os responsável por todos os benefícios que são levados ao município, até mesmo as obras conseguidas pelo atual prefeito. Ao mesmo tempo vem colocando o nome de parentes em obras públicas.
CORAGEM - Surpresos com o duro discurso de Barros, os integrantes do Bloco Parlamentar de Oposição parabenizaram o deputado pefelista pela "coragem de expor à sociedade os tentáculos do gerente", cunhado do coronel Orlando Pantoja. O militar, aliás, foi preso em flagrante por agentes da Polícia Federal, na madrugada de 5 de outubro do ano passado - véspera da eleição, com R$ 371 mil em espécie no maior derrame de dinheiro numa campanha eleitoral no Maranhão. Pantoja embarcaria para Imperatriz num vôo fretado pelo governo do Estado, onde o dinheiro deveria ser usado numa provável compra de votos.
Outros parlamentares aproveitaram para denunciar que Carlos Brandão estaria selecionando os prefeitos para as audiências com o governador, evitando que vários deles tivessem acesso ao Palácio dos Leões, fatos que seriam desconhecidos por José Reinaldo. A maioria dos barrados integrou o projeto político que deu a vitória ao governador do Estado. Ao mesmo disseram que o quadro seria diferente se o ano fosse eleitoral.
Diante das denúncias, os deputados da base aliada reagiram e transformaram a sessão numa lava de roupa suja, com ataques e defesas, mas Barros manteve a palavra e disse que não retiraria uma vírgula do que dissera. Apesar da falta de sintonia com o gerente Carlos Brandão, o deputado reafirmou que continuará integrando a base aliada, ressalvando que seu pronunciamento teve como objetivo atingir o gerente e não o governo.