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- Sua divindade, o sol

Fonte: Edição 95 - 16 de Agosto/2003
Publicada em: 16 de agosto de 2003
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Por: Arimatea Coêlho


O Sol é uma divindade e simboliza o que há de mais nobre na alma humana: o iniciar de todas as coisas, a alegria de viver, a esperança - seja ela ocasionada pela dor ou por qualquer outro sentimento. No antigo Egito, o faraó Amenófis IV, casado com a rainha Nefertiti, substituiu o deus tradicional Amon-Rá por Áton, simbolizado pelo disco solar, depois de uma verdadeira revolução, mais ou menos entre 1580 - 1085 ªC.

A medida tomada pelo faraó tinha um caráter político: ele queria livrar-se dos sacerdotes que o importunavam. Depois de expulsa-los, construiu um belíssimo templo em Hermópolis e passou a chamar- se Aquenáton, - supremo sacerdote do novo deus. E os viventes das margens do Nilo, sem outra opção, tiveram que adorar, por um bom tempo e a duras provas, o disco solar de Amenófis IV.

O sol é realmente uma divindade. Sem ele não haveria qualquer possibilidade de vida neste planeta. Já imaginaram um planeta onde nunca faz sol, nem mesmo para aquecer um pobre e fragílimo pé de alface?

Quando Deus criou o universo, depois de haver criado a Terra e árvores que dessem frutos e sementes para se perpetuarem, Ele disse, vitorioso: "Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite". Assim o sol se fez, não apenas para separar o dia da noite ou para clarear e aquecer os dias simplesmente, mas, para simbolizar o próprio calor do seu amor pela humanidade, melhor dizendo: por Adão, que do barro frio e inanimado foi gerado, e por Eva - que foi gerada de uma costela deste, não sei por qual motivo.

Na história da humanidade, o sol sempre foi objeto de adoração e de estudos científicos, algum dos quais, sem qualquer fundamento.

Houve tempos em que os estudiosos afirmavam que o sol girava em torno da Terra, o que constituía um erro. Afinal, a Terra é que gira em torno do sol, dele recebendo a energia necessária para continuar plena de vida e de cores.

Dentre os povos que mais adoram o sol, encontram- se os brasileiros. E não é uma simples adoração. O brasileiro tem uma enorme obsessão por esta divindade, que hoje, em virtude da falha na camada de ozônio, ocasionada pela emissão de toneladas de gases poluentes na atmosfera, vem despejando seus raios ultravioletas, cancerígenos ao extremo, na face da Terra.

Esta adoração acontece, provavelmente, porque o Brasil é um país tropical de extraordinárias praias, e o brasileiro tenha obsessão por mostrar as belezas do corpo, nunca as da própria alma.

Eu, entretanto, adoro a lua esquiva, a despejar raios prateados na escuridão e, conseqüentemente, adoro a própria noite.

Adoro a noite, que simboliza o fim. Não o fim perpétuo, mas o fim transitório, aquele em que o corpo repousa temporariamente no pó da terra para depois ser transladado para junto de Deus. Afinal, este é o momento supremo, o momento da espera, da limpeza da alma, o momento em que não nos é dado mais o livre arbítrio para pormos em prática o nosso ser mentiroso, egoísta, devasso, preconceituoso, vingativo e humilhante.

Adoro a noite, esta em que ficamos desnudos, sem desejos e sem forças para praticarmos qualquer ação diante do Criador.


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Inclusão: 22/07/2005