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- São Luís ganha seu primeiro Plano de Paisagem Urbana

Fonte: Edição 90 - 13 de Abril/2003
Publicada em: 13 de abril de 2003
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O Instituto Municipal da Paisagem Urbana lançou re centemente o Plano da Paisagem Urbana de São Luís. Elaborado com o objetivo de requalificar o espaço público da cidade, o plano tem como foco central a recuperação e embelezamento de áreas verdes e ordenar a ocupação urbana em São Luís. Tudo isso aliado à preservação ambiental e ao desenvolvimento urbano sustentável.

A elaboração do plano foi feita por técnicos da prefeitura, com orientação das empresas Rosa Grena Kliass e Oicos. Foi realizado um levantamento da ocupação urbana e do patrimônio natural da cidade.

O primeiro passo foi traçar um inventário urbano que avaliou aspectos como relevo, hidrografia, cobertura vegetal e legislação. Na análise dos dados coletados foram observados fatores como drenagem, declividades e padrões de ocupação.

DIAGNÓISTICO - Numa outra etapa a equipe fez um diagnóstico da situação em que foram apontados problemas como desmatamento e ocupação desordenada. E finalmente, elaborou propostas, que consistem em plano e projetos.

Os planos foram elaborados por área prevêem projetos específicos. Entre os projetos apontados como prioritários estão o Corredor Verde do Centro, a praça Dom Pedro II e o aterro do Bacanga.

As avenidas e praças de maior circulação também são consideradas prioridade. As primeiras áreas que vão receber obras previstas no plano são as avenidas Carlos Cunha e Daniel de La Touche e as praças Deodoro e Gonçalves Dias.

O trabalho que será realizado nestes locais pretende modificar a paisagem urbana de maneira radical e para isso será utilizada a técnica de transplante de árvores adultas, com o uso de espécies nativas, obedecendo as recomendações do Plano Paisagístico.

O Plano Paisagístico de São Luís foi elaborado pela equipe técnica especializada da Prefeitura Municipal com o acompanhamento e orientação dos escritórios de arquitetura e paisagismo Rosa Grená Kliass e Oicos. As duas empresas são chefiadas por especialistas de renome e experiência internacional.

Para esse trabalho as equipes dos dois escritórios avaliaram mapas e fotos aéreas, além de conhecer pessoalmente a realidade da paisagem urbana e natural de São Luís.

A arquiteta paisagista Rosa Grena Kliass, formada na Universidade de São Paulo, tem diversas pós-graduações em paisagismo, ecologia e planejamento urbano.

Fundada em 1970, a Rosa Grena Kliass Paisagismo, Planejamento e Projetos, tem no portfólio projetos de consultoria e urbanização em todas as regiões do país e em algumas cidades do exterior. Entre seus trabalhos se destacam planos paisagísticos das cidades de Curitiba e Campos do Jordão, das áreas verdes de São Paulo e da orla marítima de Salvador.

Rosa Klias também tem atuação em recuperação de áreas degradadas e no planejamento de viveiros, além de projetos para residências, parques, avenidas, praças, shoppings e empresas, como o Parque do Abaeté, em Salvador, Jardim Botânico de Curitiba e o Aeroporto Internacional de Brasília.

Prefeitura implantará ações modelo

Seguindo a máxima de que "os bons exemplos fazem as grandes obras", a primeira-dama Tati Palácio afirma que, devido às limitações orçamentárias e de pessoal, serão realizadas ações modelo em ruas, praças e avenidas de São Luís.

A primeira avenida a receber um tratamento será a Carlos Cunha, que terá um plano paisagístico e servirá de exemplo para as demais avenidas. A escolha deu-se pelo fato de ser uma área com poucas construções ao longo da via, possibilitando o ordenamento da paisagem urbana. "Queremos concentrar as nossas atenções no que é possível e, com a transformação de um local, ir paulatinamente mudando todo o seu entorno", afirma Tati.

Dentro desta perspectiva, a construção de ciclovias deve acontecer em avenidas onde as obras forem possíveis, como no eixo Itaqui- Bacanga, onde a bicicleta é um dos meios de transporte mais utilizados pela população.

Preservação da área verde

É difícil falar em paisagismo sem lembrar nas árvores centenárias presentes na cidade. Barrigudeiras, oitizeiros, amendoeiras, palmeiras imperais fazem parte do patrimônio verde da cidade e recebem uma atenção afetiva de muita gente. "Tenho boas lembranças da época em que estudava no Rosa Castro e brincava com minhas amigas debaixo das amendoeiras da praça Deodoro", recorda Merice Vita, 60.

Para ela, as árvores fazem parte da história da praça, mas são agredidas diariamente pela poluição, passantes e vendedores. A constatação da professora é respaldada por técnicos do Impurb, que alertam para o perigo da degradação das árvores.

Segundo os técnicos, podas irregulares, fixação de placas e o lançamento de óleo quente e restos de comida nas raízes comprometem a sobrevida das árvores na praça Deodoro. Um dos moradores deu entrada em um pedido, junto ao Instituto, para a recuperação de um dos oitizeiros da praça. Ele afirma que a árvore ameaça tombar e atingir a sua casa. "Recebemos a reclamação e nossa equipe fez um laudo da situação da árvore para que as medidas de preservação sejam adotadas e a árvore não venha ao chão", explica Tati Palácio.

Parceria com a cidade

Diante das necessidades existentes em São Luís, o momento é de trabalho conjunto para que as futuras gerações possam se orgulhar não só da cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, mas também das belezas naturais da ilha.

Mesmo com as equipes do Instituto da Paisagem trabalhando em regime de plantão para atender às demandas da população, a comunidade deve ser a principal agente de preservação da cidade.

Seguindo bons exemplos como o dos moradores do entorno da praça Boa Vizinhança, no bairro Cohab Anil, outras comunidades podem adotar uma praça, avenida ou rua e torná-la mais bonita e verde. A orientação técnica pode vir do Impurb que irá indicar o procedimento mais adequado a ser realizado. "Uma de nossas prioridades é atender aos pedidos da população. O que pretendemos é dizer como pode ser feito e ajudar na realização do trabalho", finaliza Tati Palácio.


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Inclusão: 21/07/2005