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- Fé e manifestação política marcam festa no município

Fonte: Edição 89 - 01 de Fevereiro/2003
Publicada em: 1 de fevereiro de 2003
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Nos 40 anos de emancipação de Bacuri, comemo rados em janeiro, os habitantes da cidade juntaram a manifestação pela data às homenagens a São Sebastião em agradecimento pelas graças alcançadas pessoalmente e em favor do município. O prefeito Aurino Nogueira coordenou imensa programação e em pronunciamentos ao povo fez uma verdadeira prestação de contas do seu mandato até agora.

Os eventos foram prestigiados por autoridades da região e pelo povo, que sempre lembrava o esforço concentrado da administração Nogueira para colocar Bacuri no rumo do desenvolvimento.

Geógrafo e advogado, o prefeito revelou as estratégias adotadas para promover o desenvolvimento do município, desenvolver a política de geração de emprego e renda e fixar a população da zona rural em seu habitat .

Com a oferta de instrumentos básicos de desenvolvimento - educação, saúde, saneamento, energia - Nogueira conseguiu diminuir o número de povoados, que de 36 quando ele assumiu baixou para 15. "Dessa forma é mais fácil planejar, além de concentrarmos a população de modo a promovermos um plano racional de trabalho", ensina o administrador municipal.

Pioneirismo - Aurino Nogueira comemora o fato de ter sido pioneiro entre as administrações municipais maranhenses de algumas iniciativas que permitiram a Bacuri ser referência para seus vizinhos.

Uma das áreas mais beneficiadas é a da educação em nível de terceiro grau. Nela se inclui o Projeto de Educação Solidária, fruto de convênio entre a Prefeitura, a Chevrolet do Brasil e a Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP).

Há três anos e meio funcionam cursos de formação para o magistério, em nível de terceiro grau, resultado de convênio entre a Prefeitura e o Centro de Formação Tecnológica (CEFET), que envolve recursos da ordem de R$ 250 mil. O segundo vestibular realizado reuniu cerca de 250 candidatos e o aproveitamento superou os 90%.

Outra experiência bem sucedida foi o BBEducar, em convênio com a Fundação Banco do Brasil

Nogueira comemora também o fato de ter assumido recebendo 61 salas de aula e ter chegado até a metade do mandato às 220 (considerando a oferta de espaços nos três turnos - matutino, vespertino e noturno - de funcionamento das escolas). Sua administração construiu até agora 15 escolas e ainda há projetos para a edificação de outras.

O prefeito diz que os estabelecimentos de ensino registram a presença de alunos de todas as idades. "Temos aluno de 60 anos de idade", diz satisfeito. Também recebe atenção especial a educação infantil. "Enfim, atendemos em todas as frentes, pois consideramos que pela educação é que poderemos oferecer perspectivas de futuro aos nossos cidadãos", justifica.

As experiências educacionais fogem ao padrão comum de outras iniciativas nesse setor. Os alunos em Bacuri são preparados para ser cidadãos, para viver o dia-adia, o que vai muito além de uma proposta simplesmente pedagógica. Nesse particular inclui-se a Casa Escola, onde o participante aprende como lidar com a organização, o cumprimento dos deveres e os cuidados pessoais.

Povoamento - Na qualidade de geógrafo, Nogueira tem preocupação com a ocupação ordenada do território municipal. Ao comemorar o fato de ter reduzido em 50% o número de povoações, ele explica que ficou mais fácil atender às prioridades das populações, inibir o êxodo rural e contribuir para manter vivas as tradições locais.

Estatisticamente ele oferece alguns exemplos sobre concentração de população em povoados: Macá tinha 27 casas hoje tem 62; Portugal tinha 142 unidades residenciais hoje são 290. Essa política de redistribuição deu tão certo que alguns moradores que tinham abandonado as povoações por falta de perspectiva retornaram às duas origens.

Nogueira comenta que a partir do advento do rádio e da televisão ficou difícil prender alguém em áreas que não oferecem esses atrativos. "Daí a importância da energia elétrica, criando possibilidades para o conforto pessoal, o lazer e a recreação", ensina. Sua política de eletrificação rural cobre hoje 88% do território municipal, contra 38% de quando assumiu.

A comunicação entre as comunidades dá-se por uma bem construída rede viária, que totaliza hoje 90 quilômetros de estradas vicinais. Esse sistema proporciona comunicação entre os comunitários e acelera o intercâmbio comercial, permitindo a venda do produzido no município e a compra do que a população precisa para seu conforto e bem-estar.

Frustração/Sucesso - Mas o prefeito confessa uma frustação: o insucesso da experiência de cultura consorciada - milho e mandioca. Com recursos do Fundo de Aval (também aí foi pioneiro no Maranhão) administrado pelo Banco do Brasil foram financiadas 137 famílias de lavradores que plantaram suas roças.

Por causa de 58 dias sem chuva as culturas não vingaram e os envolvidos no projeto sofreram prejuízo. Como o projeto não era coberto pelo PROAGRO (o seguro rural) a administração municipal teve de pagar com recursos próprios o empréstimo. Isto ao longo de cinco anos.

Em contrapartida uma experiência na área da pesca foi bem sucedida. Pescadores locais receberam financiamento para a compra de material e equipamentos de pesca em alto mar. O produto principal nessa atividade é a pescada vermelha, com expressiva exportação. Ele reclama incentivos nessa área, avaliando que com ajuda externa os resultados serão sensivelmente aumentados.

Saúde - O prefeito Aurino Nogueira realiza um grande sonho da população de Bacuri com a construção de um hospital de médio porte que deverá estar totalmente pronto neste primeiro semestre. Quando concluído o prédio ocupará 750 metros quadrados (área construída), sem contar a lavanderia e o necrotério.

Com custo avaliado em R$ 1 milhão as obras estão em franco andamento. A fase de acabamento deverá ser iniciada nos próximos dois meses. Alguns equipamentos já estão comprados e prontos para serem instalados quando o edifício estiver pronto. Nele serão instalados 32 leitos.

De dormitório a cidade

No início do século passado a região onde hoje se insere Bacuri era ocupada por índios e pescadores nômades (sem local fixo). A localidade funcionava ainda como dormitório de viajantes que procediam de Cururupu e Turiaçu para paragens que tinham o lugar como passagem obrigatória.

Foram os pescadores que descobriram o imenso potencial pesqueiro da localidade, com os lugares hoje designados como povoados representando cabeças de mar. Em vez de apenas passarem por ali, foram se estabelecendo, formando a povoação. A Colônia de Pescadores de Bacuri data de 1920.

A festa da emancipação acontece sempre no dia 20 de janeiro data em que a Igreja Católica reverencia São Sebastião, o santo guerreiro. O santo é o padroeiro da cidade. Aurino Nogueira diz que a fé no santo certamente contribui para que Bacuri alcance os objetivos perseguidos pelos seus habitantes.


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Inclusão: 21/07/2005