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- Vimarenses comemoram 245 anos resgatando a história

Fonte: Edição 89 - 01 de Fevereiro/2003
Publicada em: 1 de fevereiro de 2003
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Os vimarenses - como são chamados os nascidos no município de Guimarães - comemoraram os 245 anos de existência da povoação teatralizando a história local, escrita há 45 anos por um canadense que viveu na região: Raymond Ricart, casado com uma filha da terra, dona Almerinda.

O prefeito Artur Farias presidiu as cerimônias que reuniram espetáculo teatral, manifestações culturais, eventos esportivos e atividades diversas. Durante as comemorações foram lembradas antigas tradições locais, como o celeiro de músicos, artistas, escritores, políticos e personalidades que povoaram o passado do município.

Teatro - O ponto alto das festividades foi uma encenação teatral baseada na obra "Guimarães - 200 anos de História", produção literária de 45 anos. Ela foi escrita por um canadense que andou pela região e encantou- se com as peripécias da população inicial.

Para as autoridades que assistiram a apresentação, o espetáculo resgatou a história de um povo que lutou sempre e esteve na vanguarda dos acontecimentos na região.

Essa foi a opinião do juiz de Direito da Comarca de Santa Helena e ex-prefeito de Guimarães; do secretário municipal de Educação, Osvaldo Gomes; do padre William, pároco local; do viceprefeito Moisés Espíndola de Morais; de dona Almerinda Ricart, esposa do autor da obra na qual a apresentação cênica baseou-se; da professora Carmelita Cuba.

Cultura - Para o prefeito a montagem cênica foi a forma encontrada para lembrar as novas gerações a importância cultural de uma região que já deu ao País até um presidente da República (Urbano Santos, duas vezes vice-presidente, sendo que assumiu interinamente o cargo na segunda década do século XX -1917 - e morreu na década de 20, quando se preparava para assumir novamente a vice-presidência da Republica).

O livro no qual o jogo cênico- histórico se baseou foi relançado e oferecido principalmente aos jovens para servir de fonte de consulta às pesquisas destinadas a rememorar os feitos dos homens ilustres que nasceram ou viveram em Guimarães nesses 245 anos.

Exposição - Coube ao secretário Osvaldo Gomes recordar ilustres figuras que povoaram o território vimarense, como Souzândrade (Joaquim de Souza Andrade, idealizador da bandeira do Estado do Maranhão e primeiro intendente de São Luis, que viveu na transição entre o fim do século XIX e início do século XX), Maria Firmina dos Reis e Sotero dos Reis (que aqui não nasceram, mas aqui viveram em algum período de sua existência) e mais recentemente os desembargadores da família Guerreiros (o pai Antonio e o filho Júnior).

Como parte da programação foi montada uma mostra de documentos e objetos relativa à fundação da povoação - a Exposição de Documentos Históricos. Entre os papéis mais destacados estava o auto de fundação da Vila de São José de Guimarães do Cumã, originada da Fazenda Guarapiranga, assinado pelo fundador José Bruno de Barros (ver box). Entre os objetos destacados estava um silo de 1783 do engenho do coronel Henrique Schalcher.

O acervo da mostra foi recolhido entre pertences das famílias tradicionais do município. Entre elas Schalcher, Gomes, Farias, Carvalho, Melo, Barbosa. Elas doaram peças raras, fotos, equipamentos antigos, documentos, tudo relativo aos anos de existência da povoação, desde sua condição de vila até a emancipação.

Administração mostra o que faz

O prefeito Artur Farias apro veitou o en contro com jornalistas presentes às comemorações dos 245 anos de emancipação política de Guimarães para uma breve prestação de contas de seu governo. Mesmo alegando dificuldades de orçamento, revelou a implementação de obras e serviços nos setores que elegeu como prioritários: educação, saúde, saneamento básico e transportes.

Ao referir-se ao sistema educacional comemorou a implantação do terceiro grau no município, graças a convênio com o Centro de Educação Federal Tecnológica (CEFET), que permitiu a instalação dos cursos de Química, Biologia e Matemática, em nível de licenciatura, para oferecer formação aos jovens que terminal o segundo grau e que têm dificuldade para deixar a localidade e tentar vôos mais altos fora da região.

Turismo - As belezas naturais das praias do município remete a atual administração para o incremento ao turismo. Nesse processo são importantes as estradas, cuja abertura e manutenção tem merecido atenção do prefeito e de sua equipe. Hoje Guimarães comunica-se com todos os seus vizinhos por rodovias confiáveis e seguras, dotadas de pontes que são verdadeiras obras de arte.

Entre as ligações internas ele destaca as vicinais para Aruoca, Maçaricó, Lago do Sapateiro, Puca, Ceará, São João a Santa Rita (estrada em construção em parceria comunitária); e as pontes em Santa Maria, Macajubal, Vila Nova, Encontro, Caratiua, Cumã, Jeniparana.

Lazer e qualidade de vida - Obras de calçamento, distribuição de rede de energia elétrica domiciliar e pública, perfuração de poços artesianos, fortalecimento da rede hospitalar (um hospital central e postos de atendimento), melhorias no matadouro municipal, reformas no cais e incentivo à produção são as prioridades que estão sendo desenvolvidas e terão atenção especial do governo municipal nos próximos dois anos.

Mesmo lamentando a perda de terras férteis para os territórios que formaram os municípios dali desmembrados, o prefeito diz que insiste no incremento ao setor primário. Nas poucas terras férteis trabalham quatro técnicos agrícolas que tentam mostrar aos lavradores quais as culturas mais viáveis para um melhor aproveitamento comercial.

O Orçamento Participativo, experiência bem sucedida na atual administração, cobre 60% das necessidades comunitárias, revela o prefeito Artur Farias. Ele anuncia investimentos no Carnaval para promover o turismo na cidade. "Ainda temos tempo de resgatar nosso poder econômico", desafia.

Desmembramento e desenvolvimento

Quem conhece Guimarães estranha a queda desenvolvimentista que ao município sofreu ao longo dos seus mais de dois séculos. De celeiro de uma vasta área - quando detinha um grande território que incluía Pinheiro, Mirinzal, Cedral, Central do Maranhão, Turiaçu, Santa Helena e Carutapera, municípios dele desmembrado - hoje enfrenta dificuldades para firmarse como centro econômico.

Para o juiz de Direito e ex-prefeito Agenor Gomes a agricultura é incipiente, servindo apenas para subsistência das famílias envolvidas na lavoura. A vocação das terras limita-se à produção de farinha de mandioca, cultura que não atrai investimentos agrícolas destinados a grandes projetos. "A farinha serve como alimento, mas não como instrumento de produção em larga escala para fins de comercialização. Farinha alimenta mas não dá lucro", enfatiza. Considera a possibilidade de experimentar-se as lavouras de arroz e feijão.

Pesca - Gomes observa que o aproveitamento agroindustrial da produção pesqueira pode ser uma saída, mas resulta em investimentos muito altos e que não sensibiliza programas internacionais direcionados para o setor, como os alocados pelos programas especiais de alimento da Organização das Nações Unidas.

Para que essas iniciativas vinguem o magistrado ressalta a necessidade de grande parceria de recursos financeiros e técnicos entre os governos municipal, estadual, federal e empresas privadas. Reforçada por campanha que remeta para resultados lucrativos a médio prazo.

O secretário Osvaldo Gomes justifica o empobrecimento da agricultura pelo fato das terras agricultáveis terem sido abocanhadas pelos municípios que foram desmembrados de Guimarães. "Sobraram as praias e para investir nelas precisa de recursos volumosos e tecnologia sofisticada", explica.


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Inclusão: 21/07/2005