O deputado Rubem Brito (PDT) fez um duro pronunciamento sobre a qualidade do atendimento das agências do Bradesco no interior do Maranhão. Segundo ele, há municípios em que a estrutura do banco se resume a apenas um caixa, o que obriga os correntistas a esperarem nas filas por períodos de até 11 horas. “Essa situação acontece em todo o Estado. É um problema mais grave que o ‘Luz para Todos’ – programa do governo federal que objetiva atender com luz elétrica todos os domicílios do país até 2008”.
Para Rubem Brito, os problemas verificados no atendimento do Bradesco têm ligação direta com a privatização do Banco do Estado do Maranhão (BEM), durante o governo de Roseana Sarney. “O governo sucateou o BEM, investiu R$ 300 milhões – na preparação ao processo de privatização – e acabou levando a essa situação de péssimo atendimento”, criticou.
O deputado disse que no município de São Raimundo das Mangabeiras a agência do Bradesco dispõe de apenas um caixa, o que, segundo ele, obriga pessoas idosas a esperarem até 11 horas na fila para receberem suas aposentadorias. Rubem Brito citou também o caso de Arari, cuja agência está atendendo funcionários públicos de toda a região porque o banco fechou as agências dos municípios vizinhos.
CONTAS - Rubem Brito criticou o monopólio do banco sobre o depósito dos recursos públicos do Estado e defendeu que o governo tome providências para eliminar o que considera um despropósito. “Não podemos alegar que isso [o monopólio] é oriundo de contratos anteriores. Temos que reparar este equívoco de privilegiar um grande banco”, disse.
De acordo com dados divulgados pelo deputado, o Bradesco teria tido em 2004 lucro da ordem de R$ 3 bilhões, dos quais a maior parte seria oriunda da cobrança de tarifas exorbitantes. “O Bradesco não pode continuar dando esse tratamento. Tem que dar um basta neste problema”, advertiu.
VIRTUAL - A denúncia do deputado contra o Bradesco veio a reboque de duras críticas ao governo de Roseana Sarney. “O governo anterior foi campeão de transformar a realidade factual em realidade virtual”.
Ele disse que em quase oito anos de mandato Roseana não construiu uma única sala de aula para o segundo grau, estagnou o processo de ensino e congelou os salários dos servidores. E concluiu citando dados da agricultura.
Segundo ele, se no final dos anos 60 o Maranhão produzia perto de dois milhões de toneladas de grãos/ano, no governo de Roseana a produção encolheu para menos de 1 milhão de toneladas/ano.