Para romper com as práticas políticas ultrapassadas, por grupos que estão no comando do poder a quase 40 anos, o terapeuta ocupacional filiado ao Partido Popular Socialista (PPS), Marcos Passinho, 34 anos, lançou sua pré-candidatura a prefeito do município de Cedral, localizado na região norte do Maranhão, distante 454 quilômetros de São Luís. “Somos a Cedral de cara nova”, diz o pré-candidato que conta com o apoio do vice-governador Luiz Carlos Porto e espera contar com o aval do governador Jackson Lago.
Marcos Passinho defende projetos de desenvolvimento sustentável e políticas públicas voltadas para jovens e idosos, dinamização da produção, incentivo à cultura, fortalecimento do turismo, educação e saúde. Ele destaca que o município vive um momento ímpar e defende que o atual “contexto é muito propício para o surgimento de novas lideranças, principalmente em decorrência da forma como se vinha fazendo política no município, sempre focada em dois grupos”. Principais trechos da entrevista do pré-candidato socialista.
Correio dos Municipios – Formado em terapia ocupacional, por que decidiu ingressar para a política partidária?
Marcos Passinho – Deu-se em conseqüência da ausência de políticas públicas em minha região. Ainda adolescente, troquei Cedral por São Luís em busca de formação profissional, mas sempre que retorno a minha cidade sinto que as carências são as mesmas das últimas décadas em decorrência do desgaste provocado por grupos privados, formado por políticos arcaicos, que não pensam no coletivo e sim em seus projetos pessoais e familiares.
CM - Quais os setores mais atingidos por estas práticas?
MP – São todos os setores. Quando se tem uma gestão publica como se fosse a minha casa, todos os setores sofrerão com isso. Na saúde, a única especialidade é clínico geral. Há ausência de serviços como pediatria, cardiologia, ortopedia e várias especialidades que estão fora do alcance da comunidade. Isso evidencia a necessidade de mudanças e só se faz mudança nesta área com pessoas que entendam de saúde. Se os gestores não entendem, deveriam contratar técnicos para comandar o setor, mas eles continuam agindo da mesma forma há várias décadas. Políticas públicas se faz com corpo técnico especializado e isso vale para todos os setores.
CM – Quais os outros setores que sofrem as mesmas conseqüências?
MP – O setor de produção é outro exemplo. A política voltada para a agricultura está caduca porque os gestores não se cercaram de técnicos qualificados para promover o desenvolvimento da produção. Então, diante destas necessidades, decidi entrar para a política partidária para mudar este quadro existente há 40 anos.
CM – Em Cedral seu nome surge como uma nova liderança para lutar contra grupos oligárquicos da política local. Como você recebe esta manifestação de parte da população?
MP – Uma liderança não nasce de uma hora para outra. Em Cedral a necessidade surgiu face ao desgaste das duas “lideranças” que tomaram o município como se fosse propriedade privada, e pior que isso é o empobrecimento que implantaram em grande parte da população. O atual contexto é muito propício para o surgimento de novas lideranças, principalmente em decorrência da forma como se vinha fazendo política no município, sempre focada em dois grupos. Daí surgiu a necessidade de alguém que pense junto com a coletividade, pois não devemos fazer política voltada para interesses pessoais, mas pensando no coletivo.
CM – Você se enquadra neste conceito de coletividade?
MP – Acredito nisso, porque o meu surgimento no quadro político dinamizou mais o processo democrático de Cedral e isso pensamos que é a coletividade tendo mais opções de alternância de poder.
CM – Quando você se filiou ao PPS foi pensando na idéia de lançar seu nome como pré-candidato a prefeito de Cedral?
MP – Não resta dúvida porque existe a necessidade de lançar uma candidatura apoiada por um grupo independente, que não esteja atrelado as duas vertentes que vêm se revezando no comando do poder e pretendem controlar o município por tempo indeterminado. Por isso senti a necessidade de lançar meu nome como pré-candidato independente, que pense diferente e não esteja compromissado com políticos tradicionais.
CM – Você está em busca de novos apoios?
MP – Sim. Nós estamos procurando o apoio daqueles que tiveram suas liberdades de expressão e foram tolhidos durante toda a vida política de Cedral. A nossa candidatura será a opção daqueles que estão desejosos de ver Cedral mudar de cara, daqueles que sonham com um líder democrático. Estamos voltados para aqueles que querem independência e também daqueles que não tiveram oportunidade e forças para dar o grito de independência política.
CM – E por que a sua filiação ao PPS?
MP – Porque é um partido que diante de toda a lama que inunda os círculos partidários do país, o PPS é independente, tem quadros éticos, além de ser um bom partido. Nós também contamos com o apoio de várias pessoas de outros partidos que acreditam em nosso projeto para mudar a realidade de Cedral, que está abandonada.
CM – Quem apoio sua iniciativa dentro do partido e fora dele?
MP – Dentro do PPS contamos com o estímulo do vice-governador Luiz Carlos Porto, uma pessoa desprovida de qualquer sentimento de interesses pessoais, bem como lideranças políticas do PSB, PHS e consequentemente do governador Jackson Lago, que pensa na mudança estrutural da política maranhense, principalmente para erradicar de uma vez por toda com as oligarquias. E acreditamos que essa é também a hora de Cedral mudar de cara.
CM – Em que áreas específicas e que projetos serão desenvolvidos?
MP – Em áreas pouco exploradas e com potencial de desenvolvimento reconhecido. Podemos citar, por exemplo, o potencial turístico de Cedral que deve ser explorado com uma macrovisão para gerar emprego e renda. Temos ainda a agricultura, que precisa de técnicos capacitados e assistência conjunta entre a prefeitura e sindicato, para que os pequenos agricultores tenham maiores resultado, e com isso aquecer o comercio, gerando uma economia formal.
CM – Cedral também conta com um rico potencial pesqueiro.
MP – A pesca é uma fonte de fortalecimento da economia, mas enfrenta problemas organizacionais. Essas dificuldades serão superadas a partir do momento em que organizarmos os pescadores por cooperativas para terem maior poder, agregar ao mercado peixe outros mercados, (verduras e legumes) em forma de parceria, para melhoria da qualidade de vida, de forma que gere mudanças na economia local. É preciso acabar com a presença dos atravessadores que encarecem nosso principal produto e empobrece o pescador.
CM – Quais as políticas públicas do pré-candidato que tem os jovens como público-alvo?
MP – Ao longo das últimas gestões os jovens foram abandonados porque os gestores não tinham o espírito de juventude. Com isso, foram relegados ao plano inferior o incentivo à educação, esporte, capacitações profissionais. Se não incentivarmos os jovens teremos um grade numero de pais de família com rendas abaixo do necessário para o bem-estar psíquico e social.
CM – E para os idosos?
MP – Vamos desenvolver projetos para a valorização da terceira idade com a criação de um centro de atendimento aos idosos com médicos, atividades de lazer e outros especialistas para atender aos idosos.
CM – Quais os seus planos para valorização da cultura?
MP – Incentivar os potenciais culturais locais e viabilizar recursos para aprimorar e incentivar as tradições da cidade, o que deixará de ser uma responsabilidade única da prefeitura a partir do momento que despertar em cada cidadão de Cedral o amor pela sua terra; teatro, artesanato, música e outros.
CM – Como sua pré-candidatura foi recebida pelos eleitores de Cedral?
MP – Tenho sido recebido de forma muito agradável, sem sentimentos de rejeição, porque nós representamos a Cedral de cara nova com projetos sustentáveis. Esta aceitação inicial veio da necessidade de mudanças estruturais na política local para acompanhar as mudanças que estão sendo feitas no Maranhão.