Uma ação judicial poderá ser movida pelas por diversas entidades do povoado Acoque, de Vitória do Mearim, contra a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que construiu um nível de passagem no local prejudicial aos moradores. Eles também reclamam que a companhia pretende ampliar um pátio para manobra de trens e tentam negociar a construção de um novo viaduto para evitar acidentes com pedestres.
Neste sentido o presidente da Associação dos Taxistas de Acoque, José Ribamar Moreno Neto, reuniu representantes de diversas associações dos povoados e da região para deliberar sobre a criação da Central das Associações de Acoque, a fim de reivindicar os direitos da população junto a Companhia Vale do Rio Doce e órgãos municipais e estaduais.
Para tratar dos direitos e das reivindicações dos moradores, foi convidado para defender os interesses junto à justiça o advogado Almir Coelho. Ele diz que enfrentará o desafio com naturalidade, principalmente porque sempre tem se envolvido nas questões de interesse da comunidade de Vitória do Mearim, principalmente quando se trata de uma reivindicação justa. Ele reconhece que a CVRD coloca dificuldades para atender aos pleitos dos moradores.
O presidente da Associação dos Pequenos Trabalhadores Rurais de Acoque, Antônio Carvalho das Chagas, explica que uma das principais reivindicações versa sobre o direito de passagem sobre os trilhos na principal estrada de escoamento da produção agrícola. Ele conta que os moradores exigem a construção de um viaduto para oferecer segurança à população.
DANOS - A Central de Associações também promete reivindicar indenização sobre os danos ecológicos ao causados pela CVRD, que destruiu parte do ecossistema como a destruição dos recursos hídricos, árvores frutíferas e atingiu vários sistemas do meio ambiente.
Os filiados da central também reclamam que a CVRD pretende aumentar e construir um pátio na passagem, conforme três projetos apresentados aos moradores. Inicialmente, a passagem de nível previa a ocupação de uma área de 540 metros quadrados, passarela e a construção de um viaduto, que fica intrafegável durante o período invernoso.
Eles exigem a construção de um novo viaduto em outro local para facilitar a passagem de veículos como motocicletas, bicicletas e carroças. Reclamam também que os trens da companhia demoraram em média 30 minutos para completar a travessia na linha férrea, dificultando o deslocamento da população.
MORTES - Os dirigentes da central denunciam ainda os constantes acidentes ocorridos na linha férrea da companhia, que resultaram nas mortes de três pessoas e de inúmeros animais. Antônio Carvalho denúncia ainda que as famílias das vítimas não foram indenizadas ou receberam qualquer auxilio da companhia.
O coordenador da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Juçaralzinho, Antônio da Paixão Passo Triste, disse o local usado para a passagem do trem vinha sendo usado há várias décadas pelos moradores, que estão prejudicados com as mudanças impostas pela CVRD. Como se trata da única passagem e a composição ferroviária demora até uma hora, os doentes ficam impedidos de seguir em busca de socorro.
Os moradores, por meio de seus representantes legais, exigem a construção de um viaduto elevado. Em contrapartida, a companhia ofereceu a construção de uma passarela que dificultaria a locomoção de cadeirantes e carroças com cargas, que seria prejudicial aos habitantes da região.