Documentos oficiais atestam que o prefeito de Vitória do Mearim, José Mário da Costa Pinto desviou mais de R$ 300 mil. O dinheiro deveria ser utilizado na recuperação de estradas vicinais e na perfuração de um poço artesiano. Além dessa irregularidade, a prefeitura paga mensalmente pelo aluguel de um imóvel R$ 500,00, mas no local funciona uma fábrica de bloquetes do empresário Américo da Costa Pinto, irmão do prefeito.
De acordo com Robson Rogério Céu e Firmino Cutrim Cardoso, antigos moradores de Vitória do Mearim, o depósito alugado pela prefeitura foi cedido há dois anos, sem ônus, para o empresário Américo da Costa, que fábrica bloquetes que são vendidos para a prefeitura.
"A estrada vicinal entre os povoados Acoque e Paiol, com 25 quilômetros de extensão, é fantasma", afirma o morador Antônio Rodrigues Pereira, acrescentando que a população do município está indignada. Do total da estrada apenas quatro quilômetros estão empiçarrados e o restante não recebeu qualquer melhoria.
Pela suposta obra a prefeitura pagou R$ 126 mil. Apenas uma máquina trabalhou na raspagem da estrada fantasma durante dois dias. O morador Antônio da Paixão, o Passo Triste, afirma desconhecer que qualquer obra tenha beneficiado a estrada. "Eu sei que apenas uma máquina [Patrol] fez uma raspagem e a estrada até Paiol continua intrafegável".
Apenas foi feita uma pequena terraplanagem que resultou no aterro de vários igarapés, prejudicando o meio ambiente, mas não trouxe qualquer beneficio ou melhoria para a população, conforme previsto na carta-convite número 26/2005, datada de 23 de maio de 2005, confirma Antônio Rodrigues Pereira, acrescentando que os recursos dariam para recuperar a estrada.
A outra estrada fantasma, com 30 quilômetros de extensão, consumiu R$ 146 mil e liga os povoados Tirirical (BR-222) e Japão. O dinheiro é oriundo do Fundo de Participação dos Municípios.
Antônio José Silva Reis, da comunidade de Japão, conta que o prefeito Jose Mário prestou contas no valor de R$ 146 mil, em 2005, dando como concluída a recuperação da estrada entre BR-222 e o povoado Japão. Os moradores da região dizem que a obra é fantasma, prejudicando a comunidade principalmente durante o período invernoso. "Esse dinheiro daria para fazer a estrada com segurança. Foi gasto muito dinheiro para pouco serviço", dispara.
Os recursos que deveriam ser utilizados para implantar melhorias não foram gastos, embora o prefeito José Mário da Costa Pinto tenha prestado contas como se as obras tivessem sido realizadas.
A estrada que deveria ter sido recuperada em 2005 no valor de R$ 146 mil, mas os recursos foram usados para uma pequena raspagem no leito da estrada vicinal, o que pode ser considerado insignificante para o valor justificado na prestação de contas da prefeitura. "O que ele [o prefeito] fez foi insignificante, mesmo para a população considerada ingênua", comenta indignado.
Para José Carlos Abreu, praticamente está constado o desvio de recursos públicos, causando revolta na população como vem ocorrendo desde o inicio a gestão do prefeito José Mário Costa.
Sobre as denúncias da perfuração de um poço artesiano para beneficiar os moradores da comunidade Santa Rosa, José Carlos conta que a obra foi superfaturada. De acordo com os documentos apresentados, foi pago pela perfuração, com recursos públicos, o valor de R$ 98.211,00, mas ressalta que não foram gastos mais do que R$ 30 mil, incluindo uma pequena rede de 300 metros e uma pequena caixa d'água.