Apesar do assassinato de três prefeitos maranhenses em pouco mais de dois anos, os gestores públicos municipais, ao que tudo indica, estão com a guarda relaxada. Mesmo com as constantes ameaças, os prefeitos continuam como presas fáceis de pistoleiros e assaltantes, justamente porque a segurança está relaxada.
Nos últimos anos foram assassinados os prefeitos João Henrique Borges Leocádio (Buriti Bravo), Raimundo Bartolomeu Santos, o Bertim (Presidente Vargas) e Aguiar Hilter Alves Costa (Ribamar Fiquene), mas nenhum dos mandantes foi preso.
O presidente da Federação dos Municipios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema da Cunha, aconselha: quem for ameaçado deve denunciar o caso à polícia, após tomar conhecimento da desarticulação do plano macabro para matar o prefeito de Vitorino Freire, José Ribamar Rodrigues.
Pouco mais de um mês após a execução sumária do prefeito de Ribamar Fiquene, Hilter Alves Costa, o Ita Alves, o ex-presidiário Antônio Francisco Ferreira Duarte, que gozava de liberdade condicional, foi preso em Vitorino Freire. Ele confessou que estava procurando o prefeito José Ribamar Rodrigues para avisá-lo de uma trama para matá-lo e que fora planejada na CCPJ de Pedreiras.
PLANO - No interrogatório, Duarte confirmou o relato e revelou o nome do principal envolvido no plano da execução do prefeito. Segundo ele, o "contato da parada" é o também presidiário conhecido como Antônio Bina, que teria fugido da CCPJ de Pedreiras no dia 16 de julho e foi visto naquela cidade, pilotando uma caminhonete Hilux branca, no último dia 19. Duarte enfatizou que Antônio Bina já havia 'contratado' dois presos de Pedreiras para "entrar na parada".
O prefeito Ribamar Rodrigues foi alertado da denúncia e a policia designou uma equipe da Deic para passar à frente dos pistoleiros e abortar a trama para a execução de mais um prefeito maranhense, inclusive tentando recapturar o principal acusado, Antônio Bina e seus dois comparsas. Ninguém foi preso.
Outro cabra marcado por assalto foi o prefeito de Cachoeira Grande, Chico Barbosa. Ele foi assaltado pelo ex-policial militar, Paulo Sérgio Sampaio Mendes, o Paulo Crânio. O assalto ocorreu em meados de março, na porta da residência de Barbosa, no conjunto Maiobão, de onde levaram R$ 90 mil que seria utilizada para realizar pagamentos da prefeitura.
IMPUNES - O prefeito de Ribamar Fiquene, Ita Alves, 60, foi o gestor municipal executado por pistoleiros. Ele foi assassinado com quatro tiros a queima roupa, quando conversava com comerciantes em frente à Mercearia Ferraz, na rua principal daquele município, às margens da BR-010.
Até hoje as investigações ainda não apontaram os culpados pelo crime. Mais de 30 pessoas foram ouvidas e até agora ninguém foi preso. O motivo do assassinado ainda é um mistério para a polícia.
O assassinato do prefeito Ita Alves foi a segunda execução de prefeito no Maranhão em pouco mais de três meses. Em março, o prefeito de Presidente Vargas, Antonio Bartolomeu, o Bertim, foi morto quando seguia de São Luís. Ele foi executado por policiais militares a mando de um consórcio de interessados em sua morte para assumir o controle das finanças do município.
PRESOS - Segundo a polícia, o crime foi praticado pelos sargentos PMs Benedito Manoel Serrão Martins e José Evangelista Duarte Santos, e o soldado PM Raimundo Nonato Gomes Salgado, os únicos que permanecem presos.
Os outros acusados de envolvimento no crime, incluindo o coronel PM Roberto Uchoa Lima, acusado pela polícia de envolvimento na trama, estão em liberdade, estimulando a impunidade.
Além dos três assassinatos, são comuns os casos de prefeitos assaltados. O último foi o prefeito de Cajari, Domingos do Nascimento Almeida, que teve sua casa invadida por quatro bandidos armados. Ameaçando matar a todos e gritando que só queriam a 'grana', os assaltantes obrigaram uma filha de Almeida a lhes entregar cerca de R$ 182 mil que estavam guardados em uma das dependências da residência. Fica evidente de que "alguém" passou fita.
DENÚNCIA - O dinheiro, segundo ela declarou à polícia, seria para o pagamento dos funcionários do lotados na secretaria de Educação. Antes de fugir, os assaltantes atearam fogo no veículo utilizado por eles para chegar à sede do município e fugiram em direção à cidade de Viana, provavelmente em outro carro que já estaria à espera do bando.
Para o presidente da Federação dos Municipios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema da Cunha, os prefeitos que se sentirem ameaçados de morte devem comunicar o fato à secretaria de Segurança para investigar as denúncias.
"O governo tem garantir a segurança do cidadão, enquanto os prefeitos devem solicitar segurança preventiva ou contratar segurança particular", disse Cleomar Tema. Ele lembrou que também recebeu ameaças, denunciou à secretaria de Segurança e a provável tentativa de morte foi abortada.