Armando Correa de Siqueira Neto*
Nem todos são corruptos. Existe uma parcela significativa da população que não se curva diante da injustiça existente. Há ainda aqueles que expressam abertamente a sua contrariedade sobre a corrupção e defendem com vigor a justiça. Embora exista quem que se julgue esperto ao agir incorretamente, e se defenda alegando que todo mundo age de maneira semelhante, a coisa não funciona assim. Não mesmo! Para este último, resta-lhe verificar, sem qualquer falta de prova, que outros o observam e discordam dos seus atos. Portanto, apesar de estufar o peito e se justificar, usando a multidão como escudo, o silêncio que o rodeia demonstra claramente que não há eco para a sua injustiça.
É no estado solitário e na intimidade pessoal que tais questões são percebidas. O barulho causado pela farta comunicação existente confunde o pensamento reflexivo. Embora seja preciso tomar contato com a informação freqüentemente, ela não deve, jamais, ser a última palavra, mas, o apoio.
Um bom exemplo é ficar impressionado com um punhado de notícias acerca da impunidade. Após alguns instantes sob tal percepção, pode-se ficar desacreditado na justiça. É um erro. É claro que há situações que ainda merecem julgamento. Todavia, é preciso conhecer a estatística forense e constatar que, independentemente de opiniões alheias, faz-se justiça em boa parte dos casos. (Há literatura e estudos sérios a respeito.) É ai que as forças se somam, e o justo pode encontrar acolhida de seus princípios éticos e intervenções morais. Porém, é justamente sob tal condição que o injusto se sente incomodado. A justiça incomoda!
Sim, há incômodo presente naquele que se frustra mediante o fracasso. Falta-lhe o apoio (por sorte lhe é negado) de uma quantidade de gente que faz a diferença. O seu empenho em contar com os demais cai por terra. Os seus planos covardes (não assumir o que se faz e se ocultar é covardia) são frágeis. A inconsistência de sua pretensão rouba-lhe o resultado esperado. É o momento de entrar em contato com a inevitável sensação de falha. Entretanto, se houver um fio de esperança presente, é aqui que se abre um portal de possibilidades a respeito de se rever os fatos e mudar. Transformar-se. Evoluir.
As impressões sobre a injustiça podem influenciar. Contudo, ao perceber que existem pessoas que lutam pela justiça e fazem dela o seu emblema (alguns, a sua missão), se expressa, forte e contundentemente, a resistência, e também o poder de contra-atacar, fazendo desencadear o mal-estar que incomoda o injusto. Não obstante, torne-se tal incômodo uma oportunidade, a fim de chacoalhar o incomodado e lhe abrir novas perspectivas. Faça-se deste momento de inquietude o instante que poderá revolucionar a vida daquele que precisa enxergar uma única possibilidade de mudança para executar uma nova e particular escolha.
*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: selfcursos@uol.com.br