Acusado de desviar R$ 1,4 milhão dos cofres públicos e outras irregularidades, o prefeito de Araguanã, José Uilson Silva Brito, foi ejetado do cargo por decisão da juíza interina da 1ª Vara da Comarca de Zé Doca, Suely de Oliveira Santos Feitosa. No inicio de junho, ela determinou que a Câmara de Vereadores empossasse o vice-prefeito José Maria Pereira Mendonça. O processo que resultou no afastamento do ex-prefeito surgiu a partir de denúncia feita pelo eleitor Vilmar Ferreira da Silva, inconformado com os desmandos praticados por José Uilson.
Após debater sobre a farta documentação que comprometia a administração de José Uilson, a Câmara de Vereadores decidiu, por dois terços da casa (seis votos), cassar o mandato do prefeito.
Contra José Uilson pesa a acusação de emissão de cheques sem fundos, compra de veículos, gado, alimentação escolar em nome da prefeitura, que não foram pagos; saques de dinheiro público sem comprovação de despesas, favorecimento pessoal com verbas públicas, atraso de seis meses no pagamento do funcionalismo municipal, fraude em folha de pessoal, não envio da cópia da prestação de contas do exercício de 2005 à Câmara de Vereadores, entre outras. Os débitos com agiotas de diversos municípios superam a casa de R$ 1 milhão.
CRIME - Em maio, Vilmar Ferreira da Silva protocolou denúncia na Câmara dos Vereadores de Araguanã e o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Zé Doca. O documento continha 30 itens de irregularidades, com base em seis processos. De acordo com a denúncia, o prefeito José Uilson fez um empréstimo criminoso em nome de três pessoas de sua família e de 11 desconhecidos em Araguanã no valor de aproximadamente R$ 1,5 milhão, que deveriam ser pagos pela prefeitura.
No Banco Paulista ele fez outro empréstimo em nome da prefeitura, que pagou 15 parcelas, das quais ele colocou 11 parcelas no bolso que deveriam ser destinadas aos funcionários municipais envolvidos na operação. No Banco do Brasil, o prefeito solicitou um empréstimo em nome de laranjas, entre os quais vários parentes e amigos. Ele também fez empréstimos no Banco Motone destinando os recursos para secretarias inexistentes em Araguanã.
Entre os beneficiados com os recursos dos empréstimos criminosos estão Cristiane Piancó de Sousa, Rosinaldo Sousa Moraes, Silvanete de Jesus Mota (cunhados), Edileusa Silva e Sousa e Jackson Sousa (irmãos), Hermes Silva Araújo, Antônio Carlos Silva Araújo, Elisângela de Sousa, que estaria residindo no exterior.
ESPECIAL - Entre os beneficiados estaria ainda a empregada doméstica do prefeito, Maria Domingos Monteiro dos Santos que foi contemplada com um empréstimo de R$ 6 mil, com contracheque falso. O dinheiro vinha sendo pago pela prefeitura. A também empregada do prefeito, que reside em São Luís, foi contratada pela prefeitura com carteira assinada como assessora especial com salários de R$ 3 mil mensais.
O ex-prefeito também é acusado de saquear a prefeitura. Ele vendeu duas caçambas para a empresa Joelma Construções, sem autorização da Câmara de Vereadores, além de provocar o desaparecimento de computadores, aparelhos de ar condicionado, xérox e toda a documentação oficial.
O presidente da Câmara de Vereadores, Ariosvaldo Ribeiro Diniz, conta que a denúncia de Vilmar Ferreira da Silva, foi prontamente acatada e depois de dois meses de trabalho decidiu pelo afastamento do prefeito do cargo. O relatório da comissão, devido às ameaças de morte, foi analisado no auditório da sede da Colônia dos Pescadores, depois que o grupo político do então prefeito agrediu o vereador Francisco das Chagas Mesquita, apesar da presença de 15 policiais.