O ex-governador José Reinaldo Tavares se defende da acusação de ter patrocinado favorecimento de obras públicas no Maranhão, em favor da Construtora Gautama. Ele declarou-se inocente, vítima de uma farsa e revelou-se convencido de que, desta vez, as investigações irão alcançar as falcatruas realizadas pelo grupo liderado pelo senador José Sarney. Para José Reinaldo, os escândalos ocorridos durante o governo de Roseana Sarney foram tantos que hoje "o esquema Sarney não resiste a investigações".
Dizendo-se confiante no trabalho da Justiça, José Reinaldo foi enfático ao declarar que, desta vez, as investigações estão chegando ao grupo Sarney, "de maneira que este grupo que tanto atrasou o Maranhão deverá ser desmascarado nacionalmente".
O ex-governador reafirmou que são infundadas as denúncias que o colocaram sob o foco da Operação Navalha. "Comigo, o que fizeram foi uma montagem; agora, em relação aos outros, não sei", afirmou. Preso e algemado pela Polícia Federal no dia 17 de maio passado, o ex-governador declarou que sua prisão foi um absurdo tão grande, que não tem paralelo na história política do Estado.
"A minha sorte é que foi feita uma licitação com a participação de 21 empresas, para a realização das obras na BR-402 e a Gautama foi desclassificada", assinalou José Reinaldo, ressaltando que neste episódio ficou evidenciado o desejo de vingança do senador Sarney. "Fui preso, sem aviso e sem defesa; fui algemado durante sete horas dentro de um avião; mas isto é o preço a pagar pela garantia de um Maranhão livre e sem dono", ressaltou.
VINGANÇA - José Reinaldo frisou que o grupo que dominou o Maranhão durante 40 anos resiste e tenta intimidar todo mundo. "Eu sabia que viria contra mim a vingança do senador Sarney. Eu sei que até o fim de sua vida ele vai tentar prejudicar a mim e a minha família. Mas eu não tenho medo dele e sei que a família Sarney nunca mais voltará ao governo do Maranhão", enfatizou José Reinaldo.
Ele criticou a ofensiva dos veículos do Sistema Mirante de Comunicação mostrando que, através deles, o grupo Sarney está manipulando as informações, de forma a desinformar a opinião pública.
O ex-governador reafirmou que seu governo não concedeu benefícios à Construtora Gautama, que teve apenas um contrato com o governo do Estado para construir pontes, ganho por concorrência pública. "Os fatos objetivos mostram que a Gautama não ganhou a concorrência, não houve nenhuma intenção de beneficiá-la de nenhuma maneira; ela só fez um contrato durante todo o meu governo e essa é a realidade".
CARRO - Quanto à acusação de ter ganho de presente da Construtora Gautama um carro Citroën, de segunda mão, José Reinaldo negou qualquer favorecimento e disse que comprou o veículo com recursos próprios, em março de 2006, em uma concessionária da fábrica francesa em Brasília.
"No meu depoimento ao STJ mostrei todos os dados sobre a compra do carro: o documento da concessionária, os pagamentos feitos, meu imposto de renda de 2005 onde tinha previsão de recursos suficientes para comprar o carro, o abatimento que consegui de R$ 20 mil. De forma que foi uma grande montagem e eu li na Folha de S. Paulo que quem fez isto foi um advogado chamado Marcos Lobo, que trabalha para Sarney".
Acusado de ter recebido um carro de presente para dar uma estrada de R$ 120 milhões para a Gautama, José Reinaldo explicou, uma vez mais, que a Gautama foi desclassificada na concorrência pública, da qual quem saiu vencedora foi a Construtora Sucesso.