O governador do Estado, Jackson Lago (PDT), negou ter qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas pela Polícia Federal na "Operação Navalha", e acusou a família Sarney de tentar dar "um golpe" para afastá-lo do poder. A afirmação foi feita para um público estimado em cerca de 5 mil pessoas que participaram de uma manifestação a seu favor, organizada em frente ao Palácio dos Leões.
Em seu retorno do Maranhão, depois de uma semana, Jackson Lago criticou duramente o senador José Sarney e sua filha, a senadora Roseana Sarney, "Esse golpe não vai pegar", disse o governador em seu discurso.
"Eles (o grupo de Sarney) passaram 40 anos enriquecendo à custa do empobrecimento do nosso povo", atacou. "Eles pensavam que lá fora o Brasil não me conhece. Pensavam que poderiam me misturar com eles e, desta forma, eu ser tirado do palácio do governo. Eu vou lutar em respeito aos compromissos que assumi ao longo de toda a minha vida", garantiu.
Desde cedo, manifestantes esperaram Lago desembarcar no aeroporto de São Luís com cartazes e adesivos com os dizeres "Golpe não! Sarney nunca mais". Apesar do tom pesado dos ataques contra seu maior adversário político, Jackson Lago enfrenta um desconfortável momento político no Maranhão.
Dois de seus sobrinhos foram presos pela PF na "Operação Navalha", acusados de supostamente cobrarem propina para que fossem facilitados pagamentos superfaturados para a Construtora Gautama no âmbito do governo estadual.
No atual governo teriam sido liberados cerca de R$ 6,12 milhões para a Construtora Gautama, entre 9 de março e 25 de abril. O dono da Gautama, Zuleido Soares Veras, é apontado pela PF como mentor do esquema de fraudes em obras públicas, ocorridas em diversos Estados.
Em 2006, a Gautama conseguiu a liberação de 12 pagamentos, num total de R$ 25,4 milhões, durante o governo de José Reynaldo Tavares, antecessor de Lago e que chegou a ser preso na "Operação Navalha".
Conforme investigações da Policia Federal, em apenas 16 meses José Reynaldo e Lago liberaram R$ 31,7 milhões para a Gautama. Todas essas obras foram analisadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e apontam problemas de superfaturamento e aditivos contratuais em desacordo com a Lei de Licitações.