Depois de 90 dias de investigações, a comissão de delegados que investiga o assassinato do prefeito de Presidente Vargas, Raimundo Bartolomeu Santos Aguiar, o Bertim, ainda não conseguiu identificar os nomes dos mandantes do crime. A comissão chegou a anunciar que efetuaria novas prisões e que o crime estaria completamente elucidado. O anúncio foi um fracasso.
Prisões realmente ocorreram, mas por decisão judicial. O então juiz de Vargem Grande, Roberto de Oliveira Paula, determinou a prisão preventiva de oito dos nove vereadores de Presidente Vargas, acusados de improbidade administrativa e de receber um 'mensalinho' da prefeitura de Presidente Vargas.
Durante a "Operação Vargas", foram presos o pai do deputado Paulo Neto, o ex-prefeito de Mata Roma, João Bernardo Neto, o João Lúcio, o irmão do parlamentar, o empresário Josivan Garreto da Silva, o Josa, e o afastamento do deputado Paulo Neto (PSB) por 120 dias. Neto não foi afastado e, curiosamente, o juiz foi "promovido" para a comarca de Bacabal por decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão.
O deputado Paulo Neto é acusado de promover uma farra com os recursos da prefeitura de Presidente Vargas. Uma das provas está no depoimento prestado pelo corretor de imóveis e ex-vereador de Presidente Vargas, Boaventura Mendes. Ele confirmou que intermediou a venda de um terreno ao deputado Soliney Silva, em cuja transação foram usados seis cheques de R$ 30 mil da prefeitura de Presidente Vargas. Boaventura revela ainda que os cheques seriam pagamentos de juros de uma dívida feita pelo deputado Paulo Neto.
O deputado Paulo Neto, por gozar de foro privilegiado, marca seu depoimento para o escritório de seu advogado, no Renascença. Ele nega qualquer envolvimento no crime e declara esperar que "não seja transformado em bode expiatório".