Um rombo de R$ 3 milhões nos cofres municipais. Desvio de recursos públicos do fundo de previdência. Dívidas com agiotas, entre outras promiscuidades com dinheiro público, motivaran o assassinato do prefeito de Presidente Dutra, Raimundo Bartolomeu Aguiar, o Bertim, 47, ocorrido no dia 6 de março no povoado Cigana, distante cerca de 20 quilômetros de Itapecuru-Mirim. Contradições nos bastidores atrapalham a elucidação do crime. "Vamos parar com isso. A gente tem como resolver. Somos amigos. Vamos conversar. Não precisa essa violência", apelou Bertim aos seus suspeitos algozes, o sargento da Polícia Militar do Maranhão, José Evangelista Duarte Costa, lotado na Companhia da PM em Chapadinha, o soldado Raimundo Nonato Salgado, da Companhia da PM em Nina Rodrigues, e o sargento Serrão, do destacamento da PM de Presidente Vargas. Os militares negam o crime, mas foram reconhecidos pelo secretário de Secretário de Esportes e Lazer, Pedro Pereira Albuquerque, o Pedro Pote, que foi baleado e sobreviveu.
Antes de trucidarem o prefeito de Presidente Vargas, os executores responderam de forma odiosa: "Nós não queremos papo com vagabundo e ladrão com tu!", Em seguida, a vítima foi imobilizada com a algema de número de série 031, que estaria acautelada para o 1º Batalhão da Polícia Militar, localizado no Outeiro da Cruz. Bertim foi espancado, esfaqueado e morto com dois tiros na cabeça, um dos quais disparados à queima-roupa.
Os relatos foram feitos pelo secretário de Esportes e Lazer, Pedro Albuquerque - o Pedro Pote, que foi espancado, levou dois tiros e sobreviveu, durante um encontro com deputados e em depoimento à polícia. Contou ainda que a S-10 dirigida pelo prefeito foi interceptada por um Gol prata com os bandidos com armas para o lado de fora. Eles exigiram que ele parasse, entraram no veículo algemaram e mataram Bertim.
Ao velório do prefeito em Presidente Vargas compareceram Paulo Neto, que não chorou, seu irmão Josivan Pereira da Silva e o soldado Raimundo Salgado, preso pela polícia como um dos matadores do prefeito. Salgado esteve no velório para levar uma coroa de flores.
As investigações para esclarecer o crime estão bastante adiantadas. Uma das principais colaborações foi dada pelo ex-vereador de Presidente Vargas, Boaventura Mendes que fez novas denúncias e esclareceu uma negociação na compra de um terreno em São Luís pelo deputado Soliney Silva pago com cheques da prefeitura com cheques da prefeitura de Presidente Vargas.
Representando o empresário Francisco de Assis Teixeira, o ex-vereador contou que havia intermediado uma negociação de um terreno na Avenida dos Holandeses, no Calhau, e recebeu o pagamento das mãos do deputado Soliney Silva. Ao todo foram seis cheques cada um no valor de R$ 30 mil da prefeitura de Presidente Vargas, uma caminhonete avaliada em R$ 50 mil e mais uma importância em espécie totalizando R$ 280 mil. Quatro dos seis cheques foram descontados e dois resgatados pelo prefeito assassinado.
Boaventura Mendes disse que Soliney Silva recebia cheques da prefeitura de Presidente Vargas das mãos do deputado Paulo Neto e trocava a juros de 10%. Ele contou ainda que Paulo Neto comprou uma caminhonete de Soliney com dinheiro da prefeitura e alugava o veículo para a Bertim, cobrando um valor de R$ 3,5 mil por mês.
O ex-vereador confirmou que toda a corrupção na prefeitura era comanda pelo esquema do deputado Paulo Neto e seu irmão Josivan Garreto. Eles teriam desviado 2,5 km de asfalto de um convênio de 3 km recebido do governo do Estado para Mata Roma. O material foi utilizado para asfaltar a rua da casa do pai do deputado, o ex-prefeito João Bernardo Neto. Noutro episódio, ele presenciou Josivan comprando uma pá-carregadeira com cheques de Presidente Vargas.
Boaventura ressaltou não saber da participação de Paulo Neto como mandante da morte de Bertin. No entanto, declarou não ter dúvidas que a roubalheira no município foi o principal motivo do assassinado do prefeito. Segundo ele, os vários empréstimos de cheques causaram um rombo na prefeitura e foram os motivos que ocasionaram a morte do prefeito Bertim, que não estaria conseguindo cumprir com suas obrigações para com o município.
Três horas antes de ser assassinado, Bertim telefonou para o deputado Paulo Neto, conforme revelou a quebra de seu sigilo telefônico feita pela polícia. Às 19h45, Bertim recebeu uma ligação de uma parenta do deputado. Três minutos depois, ele ligou para o telefone do parlamentar. Às 19h49, voltou a ligar para a parenta de Paulo Neto. A quebra do sigilo telefônico não revela o teor da conversa, apenas o horário e quais telefones que a pessoa ligou ou de quem recebeu as ligações. A quebra do sigilo telefônico do prefeito revela ainda que, às 19h06, ele recebeu a ligação de um celular que está sob investigação. Dois minutos depois, ligou para um telefone fixo que seria da casa do irmão do deputado e controlador financeiro da prefeitura, Josivan Pereira da Silva, o Josa.
A última ligação que a vítima recebeu foi às 20h30. Era a filha de um empresário de Presidente Vargas, distante 167 quilômetros de São Luís, que trabalhava com a coleta de lixo da cidade e teria um contrato de R$ 14 mensais com o município, pago por intermédio das empresas que Josivan Pereira da Silva mantinha em Presidente Vargas.
Paulo Neto se defende explicando que no dia do crime fez várias ligações para o prefeito. O deputado afirma não conhecer o sargento José Evangelista Duarte Costa e o soldado Raimundo Nonato Salgado. Uma contradição. Evangelista afirmou que conheceu Paulo Neto durante a campanha eleitoral e trabalhou como segurança do parlamentar em Chapadinha, Anapurus e Mata Roma. Revelou que Neto visitou a Associação de Policiais de Chapadinha, onde eles se cumprimentaram. Disse ainda que o deputado retornou para agradecer pela sua votação na cidade. O soldado também admitiu conhecer o deputado, mas garantiu não ter contato com o parlamentar.
Paulo Neto afirmou ser inocente da acusação de que seria o mandante da morte do ex-prefeito de Presidente Vargas. Ele também defendeu o irmão Josivan Pereira da Silva, o Josa, pelo envolvimento na morte de Bertim, mas reconheceu que o irmão mantinha dois contratos com a prefeitura de Vargem Grande para prestar serviços na coleta de lixo que operava no município e recebia entre R$ 12 mil e R$ 16 mil. Ele também tinha uma empresa de transporte escolar e recebia cerca de R$ 38 mil. Ele prestava serviço a Secretaria de Administração, onde era responsável em preparar a folha de pagamento do município. Pelo serviço recebia aproximadamente R$ 12 mil.
O sargento José Evangelista Duarte Costa e o soldado Raimundo Nonato Salgado negam todas as acusações sobre envolvimento na morte do prefeito de Presidente Vargas. Ele comentou que no dia do crime estava em São Benedito do Rio Preto, mas curiosamente comprou duas casas no município uma semana depois do assassinato. O sargento confirmou que conhecia o prefeito Bertim, mas alegou que isso aconteceu porque trabalhou em Presidente Vargas na época da eleição. Evangelista garantiu não conhecer Josa, irmão do deputado Paulo Neto.