Prefeito de Presidente Vargas é torturado e executado a tiros
Com requintes de crueldade o prefeito de Presidente Vargas, Raimundo Bartolomeu Santos Aguiar, o Bertim, 47, foi executado na por volta das 23 horas de terça-feira, quando se deslocava para sua cidade depois de passar dois dias em São Luís. Bertim viajava em uma camioneta S-10 em companhia do secretário de Esporte, Pedro Albuquerque, que foi atingido com dois tiros. Ele foi submetido a uma cirurgia e segue internado no hospital municipal Clementino Moura, em São Luís. A polícia descobriu que sua morte vinha sendo tramada desde novembro de 2006 e não descarta a hipótese de crime de pistolagem (vingança) ou passional, porque os assassinos não levaram nenhum objeto das vítimas.
De acordo com as investigações policiais, o prefeito Raimundo Bartolomeu Santos Aguiar, o Bertim, chegou a São Luís na segunda-feira, 5, em companhia de vários assessores. Devido à ausência de vagas, sua esposa ficou impossibilitada de acompanhá-lo, como fazia rotineiramente. Na capital ele visitou várias secretarias de Estado e decidiu retornar para Presidente Vargas por volta das 19h30 de terça-feira, na companhia do secretário Pedro Albuquerque.
Embora a polícia tenha descoberto depois da tragédia que o prefeito estava marcado para morrer desde novembro passado, Bertim não se fazia acompanhar de seguranças particulares, não registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e não solicitou proteção de vida aos órgãos de segurança pública. Homem tímido, mas com fama de conquistador, dizia que não tinha inimigos políticos. Porém, segundo amigos próximos, estaria atolado em dívidas com fornecedores e vinha sendo cobrado com aspereza por alguns agiotas da região de Presidente Vargas.
BLITZ - Aparentemente ignorando o quadro descoberto pela polícia, após sua morte, Bertim regressou na terça-feira à noite e fez uma rápida parada no município de Itapecuru-Mirim, onde jantou em companhia de Pedro Albuquerque. Cerca de três horas depois, por volta das 23h, quando circulava na BR-222, nas proximidades do povoado Cingana, distante 20 km de Itapecuru, sua S-10 foi fechada por um Gol branco de placas não anotadas. Eles foram rendidos e algemados por quatro homens não identificados que estavam fazendo uma falsa blitz no local.
O secretáro foi retirado à força da S-10, dirigida pelo prefeito, Bertim permaneceu alguns minutos algemado ao seu secretário de Esporte. Em seguida, Pedro Albuquerque foi arrastado por vários metros até um local ermo, na margem da estrada, e ferido com dois tiros no tórax. Ele sobreviveu, foi socorrido horas depois e transportado para São Luís onde foi internado no hospital municipal Clementino Moura.
Bertim não teve a mesma sorte. Depois de rendido, ele foi torturado, espancado na cabeça, esfaqueado e executado com três tiros na cabeça, um dos quais disparado na mandíbula à queima-roupa. O cadáver foi encontrado por volta de 1h30 dentro da S-10. Depois da perícia no local, o cadáver foi trasladado para o Instituto Medido Legal (IML) de São Luís e chegou no início da manhã. A autópsia confirmou as lesões.
SUSPEITAS - A polícia trabalha com a hipótese de crime passional ou execução, devido às características do trucidamento. O depoimento do secretário de Esportes, Pedro Albuquerque, testemunha ocular do assassinato, é considerado de fundamental importância para a elucidação do crime. Ele fingiu que estava morto, após levar dois tiros e sobreviveu.
A hipótese de crime passional começou a ser investigada depois que surgiram rumores de que Bertim, embora tímido, teria fama de conquistar pelo fato de exercer o cargo de prefeito em uma região reconhecidamente pobre. A vítima era casada e, segundo amigos, sempre manteve um bom relacionamento com sua esposa. Não tinha filhos.
A hipótese mais provável, de acordo com moradores de Presidentes Vargas um policial que participa das investigações, é crime de encomenda. Pessoas próximas ao prefeito Bertim, residentes na região, revelaram que sua morte começou a ser tramada em novembro do ano passado. Ele não teria comentado o assunto ou contado que estava ameaçado. Os nomes dos prováveis interessados no assassinato do prefeito não foram revelados.
DÍVIDA - Uma volumosa dívida teria sido uma das prováveis causas do crime. Homem de origem simples, Bertim teria contraído dívidas com agiotas da região para garantir o financiamento da campanha e não teria honrado os compromissos, mesmo depois de eleito.
Por este motivo ele vinha sendo cobrado de forma intransigente pelos envolvidos com o processo de agiotagem e como estaria enfrentando problemas financeiros na prefeitura não teria coberto o total da dívida. Além de não honrar os compromissos com os onzeneiros, o prefeito de Presidente Vargas estaria atolado em dívidas com fornecedores.
Uma comissão da delegacia geral investiga estas vertentes e demais pistas que levem aos autores do crime. Serão investigados os municípios e as pessoas que supostamente tenham tido qualquer tipo de envolvimento com Bertim.