A agência do Banco do Nordeste em Zé Doca (MA) contratou uma operação de financiamento, no valor de R$ 811,2 mil, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE-Agrin), para implantação da infra-estrutura produtiva da Indústria de Laticínios Queijo da Fazenda, localizada no município de Nova Olinda do Maranhão.
O valor total do investimento gira em torno de R$ 1 milhão e inclui construções civis, instalações, máquinas e equipamentos nacionais de última geração, como tanque rodoviário, câmaras frias, analisador de leite ultra-sônico, dosador automático e máquinas seladoras, além de capital de giro.
Com a implantação da indústria serão fabricados e comercializados diversos derivados lácteos, como queijo dos tipos qualho, mussarela, minas e ricota, requeijão, manteiga, doce de leite, bebidas lácteas e leite pasteurizado, que deverão gerar um faturamento anual de R$ 1,9 milhão.
INDÚSTRIA - “Nós já trabalhávamos de forma semi-artesanal na produção de queijo qualho e manteiga. A idéia agora é profissionalizar a atividade e diversificar a produção”, adiantou Paulo Holanda, dono da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, onde será instalada a indústria.
Segundo ele, o mercado atual inclui os municípios de Zé Doca, Santa Inês, Bacabal e São Luís, além de outras cidades de menor porte. Em médio prazo, com a implantação do Sistema de Inspeção Federal (SIF), que está em processo, também serão atendidos os Estados vizinhos.
Para o gerente do BNB em Zé Doca, Danivan Borges, a localização privilegiada do empreendimento, às margens da BR-316 (principal rodovia da região), no povoado Monte Alegre, facilita o escoamento da produção durante todo o ano. “Além disso, ainda existe uma vantagem adicional para aquisição da matéria-prima a ser utilizada na produção”, explica.
REBANHO - Cerca de 24% do leite necessário para a indústria (432 mil litros/ ano) virão das três fazendas de Paulo Holanda, que possui um rebanho de mais de 800 bovinos mestiços das raças Girolando e Holandês, dos quais 240 vacas leiteiras. “O restante será adquirido nos postos de coleta, com equipamento de resfriamento, instalados nas proximidades da indústria”, completou.
O acompanhamento técnico de todo o processo de fabricação será feito pela empresa Gestão Láctea, situada em Viçosa (MG), que é especializada no ramo da indústria. A equipe é composta por tecnólogos em laticínios, formados na Universidade Federal de Viçosa, uma das melhores do país.
Haverá também o acompanhamento da empresa MA da Luz Andrade, situada em Santa Inês. “Nossos produtos apresentam elevado grau de competitividade, tendo em vista a boa qualidade e a higiene impecável. Não é à toa que já possui ótima aceitação do mercado”, garantiu Paulo Holanda.
IMPACTO - Além do impacto econômico que deverá gerar na região, o Laticínio Queijo da Fazenda também vai representar um importante impacto social. “Com a instalação do empreendimento, serão gerados 16 empregos diretos e vários indiretos por conta da aquisição de matéria-prima junto aos pequenos produtores dos municípios circunvizinhos”, disse o gerente do BNB.
Além disso, a caldeira de laticínio será aquecida com queima de restolhos (restos de madeiras, cascas, ripas e caibros defeituosos que seriam descartados) adquiridos das várias madeireiras autorizadas a trabalhar na região, sem trazer nenhum desmatamento ou outro tipo de impacto ambiental.
“As construções civis, instalações e o próprio processo produtivo do empreendimento estão dentro dos padrões mais modernos para o tipo de atividade explorada, desde a recepção da matéria-prima, eliminação dos resíduos sólidos da agroindústria, até a entrega dos produtos aos revendedores com a utilização de caminhão apropriado para o transporte”, garantiu Danivan Borges.
MERCADO - Atualmente, existem oito laticínios registrados no Maranhão, que beneficiam aproximadamente 220 mil litros de leite “in natura” por dia. Grande parte desse volume vem da região de Zé Doca, que é considerada como uma das grandes bacias leiteiras do Estado do Maranhão, com grande potencial de crescimento.
Apesar disso, ainda é precária a estrutura nos segmentos industrial, de produção primária e de mercado para esse setor no Estado. Os maiores problemas enfrentados são a baixa produtividade e ausência de um Plano Estadual de Ações para o Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite, segundo dados do Diagnóstico da Bacia Leiteira, publicado pelo Sebrae.