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- A desordem dos fatores


Publicada em: 1 de agosto de 2006
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Por: Adilson Luiz Gonçalves

O que ocorre em São Paulo, ao contrário do que muitos possam imaginar, não é um fenômeno localizado e exclusivo. Trata-se do resultado da evolução histórica de um problema que era latente e, agora, ficou patente; do produto adulterado de uma desordem de fatores sociais, econômicos e, principalmente, políticos. São Paulo não foi o primeiro e, se nada for feito, também não será o último estado a ser vítima desse contexto.

Há culpados?

Bem... Creio que existam “apenas” três: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

No caso presente, o amontoado de desculpas e acusações que trocam entre si mostra que os Três Poderes estão impotentes para agir na solução do problema. Alguns, aliás, parecem estar mais preocupados com as eleições, com seus egos, com suas aposentadorias...

Isso é conseqüência de um Legislativo que aprova leis e códigos que, de tão controversos e “magnânimos”, tendem a incentivar à criminalidade; de um Executivo que cobra impostos estratosféricos que deveriam garantir segurança à sociedade, mas não a promove; e de um Judiciário que alega ser um aplicador das leis vigentes, não sendo responsáveis pelas ambigüidades e contradições de seus textos.

“Faltam recursos!”, proclamam em uníssono! Parece que isso só não é problema na hora de auto-estipular salários, regalias e imunidades...

A falta de sincronia e sintonia do estado com a sociedade é evidente!

Max Weber, ao definir dominação, afirmou que cabe ao estado o monopólio da violência para a manutenção da ordem social. Se o estado é democrático – governo do povo, pelo povo e para o povo - pressupõe-se que esta violência vise à repressão do que a sociedade considera moralmente repudiável. Isso é feito mediante leis que expressem os anseios da maioria, e mecanismos que garantam seu cumprimento. Se isso não ocorre então os representantes da sociedade não estão cumprindo seu papel!

Alguns afirmam que há “acordos”, ou que existem interesses eleitorais... Isso já é de per si um absurdo inominável e abominável que coloca a vida de inocentes em jogo por motivo vil. E o que dizer, então, da atitude de políticos que afirmam que a lei que prevê maior rigor penal não será votada esse ano, em razão do período de campanha? Onde fica a segurança do cidadão nisso?

O quadro atual coloca o brasileiro: trabalhador, correto e ordeiro na condição de vítima indefesa e amedrontada da dominação oficial e da escalada do crime organizado, igualmente dominador. A população paga o imposto da ineficiência, a conta da impunidade e, no desespero, a proteção dos que o afligem. Para culminar, vítima de várias formas de extorsão e estelionato, o povo ainda tem que conviver com a terrível sensação de que os criminosos têm mais direitos que o cidadão!

Se não é nada disso que o povo quer, então há algo errado com a maioria dos que deveriam representar suas aspirações! O que eles estão fazendo de seus mandatos e cargos públicos nos Três Poderes, então?

Esta é uma pergunta que cada um deles deve fazer às suas consciências, se é que a “mosca azul” não as neutralizou definitivamente. “Mosca azul”... Não importa a cor ela se nutre da mesma coisa...

É certo que há muita gente boa atuando na vida pública, mas, para solucionar a crise atual - e evitar futuras, que podem afligir qualquer estado brasileiro - é preciso que elas sejam maioria e assumam a condição de fiéis representantes do povo.

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro e professor universitário, mestrando em educação
http://www.algbr.hpg.com.br - algbr@ig.com.br


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Inclusão: 01/08/2006