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- Plano do governo ameniza a crise, mas não traz soluções


Publicada em: 10 de julho de 2006
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O Plano Safra lançado pelo governo federal, que liberou R$ 50 bilhões para amenizar a crise na agricultura brasileira, na opinião do diretor da Projetisa (Planejamento, Consultoria e Contabilidade Pública), Adelmar Castro, amenizou parcialmente os problemas enfrentados pelos produtores de grãos do sul do Maranhão.

Ele explica que as unidades produtivas da região têm, em média, 1,1 mil hectares. Para obter recursos para o plantio, os produtores são obrigados a recorrer às instituições financeiras que entram com cerca de 30%, enquanto as traidings, que são os mais importantes compradores da produção, financiam cerca de 70% da produção, cuja dívida não pode ser prorrogada. Para ele, isso representa um gargalo financeiro.

Ainda com base no pacote agrícola, Adelmar Castro frisou que a renegociação das dívidas dos produtores, determinada pelo governo federal, são limitadas as instituições financeiras oficiais. Isso, segundo ele, gera um impacto negativo porque 95% dos produtores maranhenses estão vinculados às traidings e é um gargalo que precisa ser solucionado, pois sem honrar os compromissos com as traidings não poderá ocorrer o plantio da próxima safra, adverte.

DÍVIDAS - O diretor da Projetisa aponta como outra alternativa do novo pacote do governo o incremento de R$ 2 bilhões para R$ 4 bilhões os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar os fornecedores de insumo e as empresas que financiaram a produção. Segundo ele, as empresas devem fazer a captação de recursos junto aos bancos oficiais para receber o dinheiro dos agricultores e também possam prorrogar as dívidas com os empresários do campo.

Como empresário do ramo de projetos agrícolas, Aldemar Castro descarta a migração dos produtores de soja para outras culturas. Antecipa que haverá dificuldades para o plantio da próxima safra, prevendo que eles poderão enfrentar os mesmos problemas ocorridos este ano.

TRIBUTOS - Para ele o setor precisa de políticas macroeconômicas para reduzir as taxas de impostos sobre a importação de insumos agrícolas e nos produtos internos, possibilitando a redução dos custos até chegar aos produtores. Ele afirma que, caso contrário, não enxerga uma luz no fim do túnel para a saída da crise na agricultura.

Ao fazer uma análise do plano agrícola do governo, ele disse que o programa é imediatista para a prorrogação dos débitos, mas não sinaliza com perspectivas de redução de custos para a próxima safra, uma das maiores preocupações dos empresários do campo.

Apesar das dificuldades financeira, ele disse que a 7ª Feira Agrobalsas atingiu os objetivos a que tinha se proposto, principalmente no setor de informações e tecnologias que foram colocadas à disposição da comunidade agrícola. Disse ainda que a feira deve ocorrer anualmente, sem interrupção, porque o evento fomenta o uso da tecnologia.


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Inclusão: 10/07/2006