Castigados pela mais grave crise financeira da história região sul do Maranhão, os produtores de soja estão recorrendo ao Banco da Amazônia para renegociarem suas dívidas. A informação é do gerente da agência do Basa em Balsas, Miguel Nuno Seiffert Simões, esclarecendo que o banco está facilitando as operações para que os clientes agricultores voltem ao estado de adimplência, justificando que motor da locomotiva produtora de soja vai continuar sendo sólido na região.
Miguel Simões reconhece que a agricultura nacional passa por um momento de crise em função de vários fatores como a política cambial, o baixo preço da soja no mercado internacional e a perda de lavoura. Ele diz que os agricultores estão apreensivos, mas estão indo ao Basa para renegociarem suas dívidas.
Ele explica que os prazos estão sendo prorrogados, de acordo com a regulamentação que o Basa está colocando à disposição dos agricultores, com base em uma resolução do Banco Central. “Temos certeza de que todos eles estão dentro da normalidade e, em curto espaço de tempo voltarão ao estado de adimplência”, afirma.
CUSTEIO - Miguel Simões disse ainda que as medidas adotadas pelo governo, de assistência nesse momento crítico que enfrenta a agricultura nacional, e, em particular, a região do Balsas, irão contribuir para minimizar a crise. Ele observa que a região de Balsas produz cerca de 430 mil hectares de soja. Desse total, 35% são financiados pelos bancos da praça, salientando que o Basa tem uma parcela significativa nos 35% com crédito de custeio e investimento.
O banco, segundo ele, trabalha com recursos do BNDES, que recebe a regulamentação por meio de resolução do Banco Central. O BC é normatizado por orientação do Ministério do Planejamento e do Ministério da Fazenda. O Basa, a exemplo dos outros bancos oficiais, aguarda a normatização e não toma nenhuma decisão em separado para não infringir as normas.
Miguel Simões constatou que, com o encerramento da colheita de soja, houve uma perda da ordem de 30%, de acordo com as estimativas dos sindicatos e dos produtores. Como gestor da agência, ele avalia que deve ocorrer uma redução de área plantada na próxima safra, mas nada expressivo porque a agricultura é um ciclo que se renova a cada estação.
OBSTINAÇÃO - Para ele, os agricultores são obstinados e, embora sendo frustrada a safra, eles tendem a continuar na atividade. Ele admite que podem ocorrer alguns casos específicos, mas não vai contaminar a classe produtora. Para ele, uma parte inexpressiva poderá até migrar para a produção de cana-de-açúcar, biodisel ou para outra região, para a cana, para biodiesel ou sair da atividade, mas nada que seja considerável.
Ele ressalva que as mudanças poderão ocorrer a título de experiência, mas para mudar uma cultura leva até dez anos. Hoje, a agricultura é profissional, feita por pessoas da área. Otimista, o gerente do Basa garante que motor da locomotiva produtora de soja vai continuar sólido na região.
Miguel Simões frisa que, embora a adversidade evidencie ao contrário e mostre um cenário desesperador, os agricultores tiveram até 400 hectares de lavoura perdida, mas a realização da 7ª Feira Agrícola de Balsas (Agrobalsas) vai dar um ânimo nesse cenário.
Na região sul do Maranhão, avalia, existe um setor organizado e o capital que se investe em agricultura não é especulativo. “É um capital que se enfia no solo e vai brotar para saber se vai dar rentabilidade ou não”.
ÂNIMO - Por enquanto, o problema da rentabilidade é considerado, mas a Agrobalsas terá a importância que sempre teve. Para ele, se a feira não fosse promovida o cenário seria pior porque os produtores estariam dando sinais de fraqueza. “A Agrobalsas é um evento que vai trazer mais ânimo e vai sacudir a poeira e dar a volta por cima. É esse o espírito do Agrobalsas”, conta.
Simões acredita no sucesso da mais importante feira de agronegócios do Maranhão e disse que os bancos estarão presentes para receber propostas e orientar os produtores. Para ele, os negócios não param porque o calendário agrícola avança os doze meses e todo mês tem uma atividade específica.
Salienta que os produtores começaram a se preparar para a nova safra. Embora, com problemas localizados de inadimplência, o Basa está conversando com os clientes agricultores para que voltem ao estado de adimplência através dos normativos. O governo está colocando resoluções à disposição dos produtores para contornar a crise. “Dentro de pouco tempo o banco estará emprestando dinheiro. A dinâmica da economia continua. O banco opera, o agricultor produz e, problemas à parte, vamos resolver cada caso em particular”, concluiu.