As manifestações de protesto realizadas pelos agricultores de todo o país, especialmente no sul do Maranhão e no Piauí, com o bloqueio de estradas para reivindicar uma política agrícola definida, foi considerada extremamente justa pelo presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uruçuí, Goethe Coelho.
“O movimento de bloqueio das estradas foi extremamente justo. A população de Uruçuí tem se manifestado favorável nesse sentido, tem nos ajudado e nos apoiado”, conta. Ele acrescenta que o problema da agricultura no Brasil é de todos, porque sem o cultivo de grãos não vai ter comida na mesa do povo brasileiro.
A crise na agricultura também atingiu os produtores de Uruçuí. Segundo ele, o comércio era mais ativo e, nos últimos três anos, tem se retraído, exatamente, em função dos problemas que castigam a agricultura.
Na opinião do líder sindicalista as demissões, em função do colapso na produção de grãos, é questão de tempo. “Vai haver necessidade de demitir funcionários. Pela primeira os produtores, que pagavam os funcionários no dia 30, estão preocupados em saber se vai ou não para pagar”, frisa.
COMÉRCIO - Os reflexos da crise também estão sendo sentidos no comércio de Uruçuí, que registra uma forte retração. A Associação Comercial reconhece que o comércio começou a demitir os funcionários porque não têm condição de manter a equipe por causa da redução dos negócios.
Os problemas na produção, na opinião de Goethe Coelho, ocorrem em função das adversidades climáticas e das estradas aqui intrafegáveis para escoamento do que foi produzido.
Citou, como exemplo, os fatos ocorridos na comunidade Santa Rosa, a 200 quilômetros de Uruçuí: o armazém lotou e teve de ser transportado para o armazém da Bünge. Como não havia condição de transporte, a soja foi perdida no campo. Ele contabiliza que a produção foi afetada e os prejuízos são maiores do que estava previsto.
FRETE - Disse ainda que a cobrança do ICMS do frete aumenta os custos na distribuição nossa produção. “É lamentável que, sem estrada, nós temos que continuar pagando imposto de frete. Um absurdo. Parece que o governo está desesperado atrás de dinheiro”, protesta.
Ele disse que pretende continuar com o cultivo da soja no ano que vem, mas faz restrições. “O nosso pensamento é continuar na atividade, mas se não houver uma sensibilidade por parte do governo para resolver essas situações, dificilmente os produtores terão condições de plantar”, adverte. E reivindicou algumas medidas do governo, como a desindexação do preço do óleo diesel, renegociação da dívida, um preço mínimo para os grãos para que se possa ter a possibilidade de abrir uma janela e continuar na atividade.
Goethe Coelho destacou como positivo a realização da Agrobalsas. Segundo ele, existe um relacionamento muito bom do setor produtivo para a divulgação de novas pesquisas e de maquinário, mas, infelizmente, existe uma desmotivação. Ele disse acreditar que a Agrobalsas deve ser prejudicada em função da crise na agricultura.