A agricultura mecanizada é o futuro no campo e o nosso lavrador precisa tomar consciência disso”, alerta o prefeito de Brejo, Omar de Caldas Furtado Filho, ao falar sobre o sucesso econômico do seu município a partir da plantação da soja. A manifestação decorre do debate sobre a cultura de grãos (soja em destaque) que deverá dominar as discussões da 7ª Feira Agrícola de Balsas (Agrobalsas).
A feira coincidirá com a segunda safra de soja a ser colhida em Brejo. “Mas a cultura ainda não determina sucesso econômico para o município, a não ser pela constatação de que a lavoura mecanizada é a técnica a ser utilizada pelos nossos agricultores, sob pena de terem prejuízo com a ‘roça de toco’ ainda exercitada”, comenta o prefeito.
Ele reconhece que a agricultura mecanizada introduzida pelos produtores de soja será decisiva na mudança do manejo das culturas agrícolas até agora desenvolvidas no município. E constata que os lavradores locais já admitem que a “roça do toco” é coisa do passado. “A agricultura mecanizada é o futuro da atividade no campo”, sentencia.
MANEJO - Omar Furtado aproveitou a oportunidade da realização de um Dia de Campo para levar os presidentes e líderes de associações rurais a observar os resultados que seus associados poderão obter com a utilização do manejo mecanizado. E incentivou-os a formar parcerias e buscarem ajuda de órgãos de treinamento e fomento como Sebrae-Ma, Ibama, Banco do Brasil e Banco do Nordeste.
“Convidamos principalmente aqueles que não acreditaram em nossa proposta de ajuda. Alertamos para as quatro experiências de campos agrícolas na região implantadas pelo novo modelo, até agora bem sucedidas. Aos resistentes sentenciamos que só com a agricultura mecanizada eles poderão resolver seus problemas”. O prefeito garante que a prefeitura de Brejo ajuda e ajudará os pequenos agricultores a modernizarem suas práticas agrícolas e exalta a contribuição de um gaúcho instalado na região que ensina como isto pode ser possível.
APREENSÃO - Um dos grandes problemas que os produtores agrícolas enfrentam na região é a invasão de suas lavouras por animais soltos. Indagado sobre se o normal não seria lavouras abertas e animais cercados (diferente do que ocorre ali), o prefeito informa que determinou a apreensão de animais que perambulam pela cidade.
“Os animais são apreendidos por um período, até o resgate pago pelos seus donos. Quando isto não ocorre dentro do prazo, o animal é redistribuído para outra pessoa ou entidade comunitária rural. Essa política já me rendeu inimigos, mas deve continuar”. Ele reconhece que alguns plantadores ainda mantêm suas roças cercadas como receio dos prejuízos que os animais soltos causam.
Omar Furtado esclarece que nas áreas de várzea os pequenos produtores plantam feijão, arroz etc. No planalto desenvolve-se a cultura da soja. Revela que a área disponível para novas plantações de soja é escassa hoje, pois toda a que havia foi vendida. Proprietário pessoal de uma extensão de 600 hectares (em Carrapato de Dentro e Lagoa dos Pinheiros) ele pretende colocá-la à disposição de interessados em investir no plantio na região. “Vendo a quem se interessar”, oferece.
Sobre a pecuária ele revela que a atividade é de subsistência. Até para manter o programa do leite a prefeitura é obrigada a comprar o produto fora do município. Confessa que tem um projeto para criação de animais de pequeno porte (ovelhas).
VENENO - O prefeito manifesta apreensão com o uso de veneno nas lavouras. Diz que a fertilidade do solo firma-se a cada ano e é muito grande. Acredita que com os números previstos para a próxima safra (a terceira) logo a produção local estará suplantando a do sul do Maranhão. “Condição impensável nos tempos do meu pais, que não acreditava em toda essa fertilidade”.
Voltando ao veneno, ele diz que os campos plantados estão muito próximos da zona urbana, de grande concentração populacional. Ao serem aplicados os elementos químicos dos produtos são levados pelo vento e ameaçam a saúde das pessoas. “Precisamos promover reuniões para encontrar uma saída para esse problema”.
Omar Furtado comemora o aumento da produção da farinha de mandioca no município. Sobre a qualidade, diz que melhorou consideravelmente depois que foram descobertas defesas para os fungos que atingiam a plantação e foram desenvolvidas quatro variedades resistentes.
“Estamos podendo oferecer um produto de qualidade e competitivo ao mercado consumidor. Brejo já é destaque na região na produção de farinha. Substituímos com sucesso as variedades de mandioca não resistentes ao fungo pelas quatro desenvolvidas tecnicamente. Estamos comemorando bons resultados, principalmente na localidade de São João”.