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- Empresas do ramo de agronegócios começam a demitir empregados


Publicada em: 30 de maio de 2006
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Para tentar fugir da mai-or crise financeira que castiga os produtores de grãos da região sul do Maranhão, causada por um colapso na safra agrícola do ano, as empresas ligadas ao agronegócio e o comércio de uma forma geral começaram a demitir os empregados para tentar minimizar os prejuízos. O quadro tenebroso foi desenhado pelo produtor de grãos, sementes e diretor da Sementes Santa Luzia, Oswaldo Massao. “Sem vendas e sem ter como reduzir os custos, as empresas do setor terão que demitir funcionários”, lamenta.

Oswaldo Massao acentua que a produção da safra de grãos foi prejudicada pelas adversidades climáticas, como a estiagem, o veranico e o excesso de chuvas, causando prejuízos da ordem de 15% na colheita de 6 mil hectares com o plantio de soja.

Além das adversidades climáticas que castigaram a região sul do Estado, ele conta que os produtores também estão enfrentando problemas em função da política cambial, que valorizou o real frente ao dólar norte-americano. O prejuízo é agravado principalmente porque os insumos foram adquiridos no câmbio de R$ 2,40 e a safra está sendo comercializada R$ 2,15.

DIESEL - Outro problema detectado pelo diretor da Sementes Santa Luzia, que agrava a crise no mercado de grãos, é o preço dos insumos, entre os quais o óleo diesel que teve seu preço elevado nos últimos meses. “O preço do diesel subiu de R$ 1,20 para R$ 2,00, tornando a agricultura mecanizada praticamente inviável”, salienta.

Uma das soluções apontada por Oswaldo Massao para os produtores de grãos minimizarem a crise financeira seria o governo federal decidir reduzir a elevada carga tributária, no país dos impostos, sobre os insumos. “Cada um fazendo sua parte, é o suficiente para sair da crise, a pior dos últimos 20 anos”, diz.

Para ele, a permanecer o atual quadro, com preços dos insumos elevados, uma política cambial de desvalorização do dólar e uma carga tributária perversa, a produção de grãos ficará praticamente inviável.

PARADO - “Não adianta plantar para se ter prejuízos. É melhor ficar parado”, lamenta. Porém, lembra que os produtores têm compromissos a honrar e, por isso, terão que plantar. Uma alternativa, observa, seria reduzir o uso de tecnologia, o que seria ruim para o produtor brasileiro em conseqüência da baixa produtividade.

Premiada nacionalmente no ano passado pelo elevado índice de produtividade, a empresa Sementes Santa Luzia não repetirá a performance devido às adversidades climáticas que provocaram uma queda brusca na safra.

A queda, segundo ele, pode fazer com que os produtores deixem de honrar os compromissos financeiros assumidos com as multinacionais e com as “tradings” porque venderam antecipadamente a safra, mas não contavam com a redução na taxa de produtividade e na desvalorização. A solução, segundo ele, seria o governo liberar recursos para os produtores renegociarem suas dívidas.


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Inclusão: 30/05/2006 - Alteração: 30/05/2006