A mais grave crise financeira da história dos produtores de grãos da região sul do Maranhão, os gargalos financeiros do setor, a infra-estrutura para facilitar o escoamento da produção agrícola e outros tópicos importantes serão discutidos durante a realização da 7ª Feira Agrícola de Balsas (Agrobalsas), a maior do Maranhão e uma das principais do país. A feira será aberta nesta terça-feira, 30, e prosseguirá até o dia 2 de junho, no pavilhão do campo experimental da Fazenda Sol Nascente.
O anúncio foi feito por Célio Weiler, presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen), entidade criada para apoiar e garantir suporte à pesquisa na produção de grãos e outras culturas na região, junto à Embrapa. “Durante a Agrobalsas estaremos divulgando o trabalho da existência da Fapcen, levando ao conhecimento da cadeia produtiva todas as informações adicionais sobre as evoluções das tecnologias na cultura”, disse.
Explicou que nos três dias de evento serão discutidos temas que fogem ao objetivo técnico da Fapcen, mas que passou a ser uma fonte geradora de informações para toda a classe, envolvendo a sociedade, empresas privadas, o setor do agronegócio e o poder público.
Para dar continuidade ao evento, serão discutidas as mais recentes informações sobre outras culturas, focalizando assuntos que envolvem toda a categoria e o setor público. “Enfim, um evento em que a Fapcen desenvolve o papel maior, que é de levar para toda a comunidade que compõe o setor agrícola as ansiedades exigidas”, conta.
CRISE - Um dos principais temas em debate será a mais grave crise financeira da história dos produtores de grãos da região sul do Maranhão. “A crise que ataca o setor não se reflete apenas no sul do Maranhão, mas atinge os produtores de todo o Brasil, e demonstra a verdadeira garra dos promotores da Agrobalsas, com a realizaçãa Agrobalsas na realizaçm debate sero do evento num quadro adverso”, diz Célio Weiler.
O presidente da Fapcen destaca que a maior feira agrotecnológica do Maranhão é de fundamental importância porque pode agregar, durante três dias de encontro, todo o setor produtivo, o setor comercial da região e as diretrizes políticas, que faz a geração do desenvolvimento da região. “Vamos buscar idéias e discutir assuntos de interesse da região, em busca de soluções para os problemas comuns. É um evento que reúne toda a cadeia produtiva do corredor de exportação atingindo, além do Maranhão, parceiros como os produtores do Piauí, Tocantins e o sul do Pará”, avalia.
Como empresário ligado ao setor produtivo do agronegócio, no momento em que todo o país sofre com a política econômica, Célio Weiler diz que tem enfrentado dificuldades. Principalmente porque trabalha em uma região em que 90% da área produtiva são destinadas à cultura da soja, uma comodities linkada diretamente com o dólar norte-americano. “No momento em que é registrada uma supervalorização do real, os produtores perdem receita em reais, que é o maior gargalo enfrentado pelos produtores de grãos do país, devido as oscilações cambiais”, salienta.
APOIO - Célio Weiler reconhece que os produtores estão tentando junto à União renegociar suas dívidas e obter novas linhas de financiamentos, mas destaca que o governo federal, nos últimos anos, tem dado um apoio mais relevante ao mini e pequeno produtor em detrimento do médio e pequeno empresário.
Diz ainda que a ausência do aporte financeiro do governo da cadeia de financiamento está sendo substituída pela iniciativa privada no financiamento para que os empresários pratiquem suas atividades agrícolas. “O grande gargalo do empresário agrícola, neste momento de desequilíbrio financeiro, está na dívida privada. Isso inviabiliza a participação do governo em uma possível renegociação”, comenta.
O presidente da Fapcen diz acreditar que na parte que cabe ao governo, quando se trata de dinheiro público, os órgãos envolvidos devem estar em busca de soluções para oferecer melhores condições ao setor primário. O mesmo não pode ser feito quando a dívida é contraída com a iniciativa privada. E salienta que “os grandes e médios produtores estão comprometidos com os dois tipos de dívidas”.
POLÍTICA - Sobre o recente anúncio feito pelo governo federal de liberar cerca de R$ 1 bilhão para os produtores, Célio Weiler aguarda a definição da política de aplicação que ainda não está bem clara. Ele disse que as manifestações dos produtores de todo o país para chamar a atenção da sociedade brasileira, em relação ao homem do campo, devem despertar o governo federal para o profundo gargalo da crise e apresentar soluções que atendam aos anseios dos produtores.
Sobre as medidas tomadas este ano para facilitar o escoamento da safra agrícola, via porto do Itaqui, disse que ocorreu em função das estratégicas logísticas adotadas pelas “tradings” para evitar congestionamentos no embarque de grãos, além dos novos investimentos em infra-estrutura da região.
Ele admite que podem ocorrer novos estrangulamentos no embarque da soja, mas em menor volume em função de algumas deficiências como a não conclusão das obras do Terminal de Grãos de Maranhão (Tegram).
O presidente da Fapcen não esconde que está ansioso com algumas medidas que o governo federal deve anunciar, frisando que os produtores enfrentam uma enorme dificuldade financeira. Ele disse acreditar que a crise é cíclica e será superada.