Acusados de participação no assassinato do prefeito de Buriti Bravo, João Leocádio, Antonio Marcos Alves de Sousa, o Marcão, e Itamar Costa da Silva, revelaram detalhes da execução durante depoimentos à Polícia Civil, no transcorrer do inquérito agora concluído.
Em seus depoimentos, Itamar Costa afirmou que foi Antonio Marcos Alves de Sousa, o Marcão, quem atirou em João Leocádio. Segundo fontes policiais, ele afirmou em depoimento que teria conhecido Marcão em 1998, num bar do bairro do Glicério, em São Paulo.
Itamar havia fugido para a capital paulistana no mesmo ano de 1998, depois de ter sua prisão decretada pela Justiça maranhense por ter assassinado a tiros o próprio pai - o oficial de Justiça Ismael Ferreira da Silva -, no mês de abril de 1995, em Passagem Franca.
Em meados de 2004, Itamar voltou a encontrar Marcão na cidade de Teresina. Ele queria a ajuda de Itamar para que este indicasse algum lugar que vendesse extintores de incêndio e galões de óleo para motor de carro, uma vez que Marcão agora era dono de um posto de gasolina em Buriti Bravo.
FORNECEDOR - Itamar contou à polícia que nessa ocasião Marcão estava fornecendo combustível para a prefeitura de Buriti Bravo, que tinha como titular Wellington Coelho, o “Tico”. Marcão acrescentou que o fornecimento se estendia à campanha eleitoral.
A partir daí, os contatos entre Itamar e Marcão se tornaram freqüentes, geralmente por meio de chamadas por telefone celular. Em fevereiro de 2005, Marcão teria perguntado a Itamar se ele queria participar de um “negócio” para ganhar um “bom dinheiro”, sem revelar detalhes.
Conforme combinado, Itamar saiu de sua casa, no bairro de Angelim, em Teresina, no dia 10 de março, às 4h. Desembarcou em Parnarama, atravessou o rio Parnaíba de balsa, e encontrou-se com Marcão do outro lado.
Os dois se dirigiram a Buriti Bravo numa caminhonete cor prata, dirigida por Marcão. No percurso, Marcão teria dito a Itamar que lhe pagaria R$ 20 mil pelo “serviço que iam fazer”. Chegaram a Buriti Bravo por volta das 8h.
TRAMA - Na estrada que interliga Buriti Bravo a Caxias, próximo da estrada onde João Leocádio apareceria morto, Marcão parou o carro e teria pedido para Itamar esperar escondido no mato, que ele regressaria mais tarde, de moto. Efetivamente, às 12h30 mais ou menos Marcão reapareceu, pilotando uma Honda vermelha, usando capacete, também vermelho, e trazendo outro de cor azul na garupa da moto e contou que havia marcado com o prefeito João Leocádio naquele local. Assim que este chegasse, Marcão entraria no carro do prefeito e Itamar deveria seguir o veículo à distância, com a moto.
Às 13h30, Leocádio chegou com seu Corsa Sedan prata. Estava sozinho. Parou e Marcão entrou no carro, que tomou o rumo da estrada vicinal onde Leocádio foi morto. Segundo depôs Itamar, ele viu quando o Corsa de Leocádio parou e o prefeito e Marcão desceram do carro. Segundos depois, Itamar escutou o estampido de uma arma de fogo. Em seguida eles fugiram de moto.
Nos vários interrogatórios a que foi submetido, Itamar disse que não recebeu os R$ 20 mil prometidos por Marcão.