COLUNA DE LÍNGUA PORTUGUESA
*Antonio Martins de Araujo (A.B.B. / A.M.L / ANPOLL
Especial para o Correio dos Municípios
CONTINUAÇÃO
Algumas destas memórias, contudo, poderão ter resultado de alargamento de pequenos episódios moralizadores, as chamadas chreiai, em que o filósofo seria personagem, e que davam agora corpo a um novo género literário, que, aceitando o testemunho de Diógenes Laércio (2.48) o próprio Xenofonte designara como Apomnemoneumata, ‘Coisas Memoráveis’: E ele foi o primeiro que transmitiu conversas tal como elas tiveram lugar, e as publicou chamando-lhes Recordações.
O que propomos é a análise de alguns dos diálogos socráticos que constituem essas memórias, para tentar reconstruir versões iniciais que, expandidas, possam ter dado lugar aos episódios narrados na obra do historiador.
Sociedade, cultura e estilo epistolar em Cataldo
Américo da Costa Ramalho
Universidade de Coimbra
Foi publicado recentemente o livro Cataldo Parísio Sículo, Epístolas. II Parte. Fixação do texto latino, tradução, prefácio e notas de Américo da Costa Ramalho e Augusta Fernanda Oliveira e Silva. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005, 293 páginas. A presente comunicação ocupa-se da algumas das cartas deste livro, analisadas no âmbito dos temas enunciados no título.
Jerônimo Soares Barbosa: sua contribuição ao estudo e ao ensino do português no Brasil
Hilma Ranauro
Universidade Federal Fluminense
hilma.ranauro@ig.com.br
A Gramática Filosófica de Jerônimo Soares Barbosa apresenta posicionamentos que a ciências lingüísticas vem privilegiando em nossos dias. Nela se encontram teorias, propostas ou enfoques que vieram a ser modernamente defendidos por estudiosos que passaram a ser tomados como referência.
Algumas das propostas de Mattoso Camara Jr., eminente representante do Estruturalismo no Brasil, já se encontravam na GFLP. Estão lá, por exemplo, a discussão sobre ser ou não o artigo o determinador básico do gênero, bem como a proposta de uma reinterpretação da noção de gênero gramatical, apontando para a confusão que se veio a estabelecer entre gênero gramatical e sexo.
Ao contrário do que se firmou em nossa tradição gramatical, Barbosa não relaciona a noção de grau a um processo de flexão (inflexão, para ele), e sim de derivação. Tal como Edward Sapir, dentre outros, Barbosa relaciona o grau à significação do nome,.
Em seu estudo do verbo, um dos capítulos que estão a cobrar um estudo minucioso, Barbosa fala, com riqueza de detalhes, dos vários tempos e modos (características, empregos e usos) e estabelece a correspondência dos tempos do Indicativo entre si e entre os tempos do Indicativo e os do Subjuntivo.
A proposta de Camara Jr. para um agrupamento dos verbos ditos irregulares em paradigmas também está lá, na GFLP. Para esse estudo Barbosa apresenta vários critérios de sistematização.
Quanto a ser o verbo pôr um verbo de 2.ª conjugação, e não de uma 4.ª, como acreditavam alguns, apresenta dois argumentos: um argumento diacrônico (presença do e na forma primitiva poer), que se manteve em nossas gramáticas tradicionais, e um argumento sincrônico (“restos” dessa vogal nos adjetivos verbais: poente, depoente, oppoente, num processo de comutação semelhante ao que veio a estabelecer Mattoso Câmara: presença da VT -e em várias formas do verbo).
A divisão e classificação das preposições do português, num tipo de abordagem vulgarizado modernamente por Bernard Pottier (preposições do francês) e Maria Luiza Lópes (preposições do espanhol), são nela apresentadas, com minúcias de análise, quanto às preposições do português.
A GFLP deixou marcas nos modelos de descrição do português, malgrado o desconhecimento a que foi relegada. Deixou também vestígios no ensino da língua, especialmente na chamada Análise Sintática, durante muito tempo cavalo-de-batalha das aulas de português, até mesmo no hábito de praticá-la em trechos de Os Lusíadas. Essa prática perdurou, durante décadas, no ensino da língua, em todos os níveis.
Pretendemos pontuar aspectos que apontem para a contribuição de Jerônimo Soares Barbosa para o estudo e o ensino do português no Brasil. Cabe resgatá-lo e dar-lhe o lugar que lhe compete na Gramaticologia do português, posto que a ele muito deve nossa gramática tradicional, como buscaremos demonstrar.
Trata-se de um estudo qualitativo, utilizando a análise de conteúdo como elemento de investigação na busca do estabelecimento de diálogo entre a GFLP e textos de estudiosos e gramáticos contemporâneos brasileiros, com destaque para os de Joaquim Mattoso Camara Jr. Com ele buscaremos divulgar parte das conclusões expostas em nossa análise crítica e comparativa da GFLP, ainda inédita.
A retórica literário-cultural e A Arte Retórica de J. Luís Vives (1532): comunicação e públicos emergentes nas instituições do século XVI ou a didáctica e cultura da língua imaginativa comum
José Esteves Rei
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
jrei@utad.pt
Pretendemos sublinhar a inovação retórica, didáctica e pedagógica desta obra de Vives, no âmbito da renovação desta disciplina verificada no Renascimento, e a sua relação com as mudanças sociais da época. O princípio subjacente é o de que a língua de comunicação acompanha a evolução organizacional da sociedade.
Duas marcas dessa inovação verificam-se na redistribuição das partes da retórica clássica, inventio e dispositio, que o autor desloca para a Dialéctica, antecipando-se a Pedro Ramus, e naquilo que designamos como didactização da mesma, entre nós levada a efeito, mais tarde, por Jerónimo Soares Barbosa, originando o corpo curricular do ensino das línguas no liceu liberal e prolongado na actual escola secundária.
Pedagogo pessoal e de colégio, precursor de Montaigne, Bacon e Descartes e reformador do ensino e da educação, o seu horizonte é o homem novo renascentista, caracterizado pelo pragmatismo e a eficácia, mas também pela ortodoxia e a elegância.
À língua abstracta e à lógica racional da escolástica sobrepõe Vives uma língua comum concreta da experiência e da vida, das coisas e das instituições. Se a tradição filosófica repelia a linguagem comum imaginativa, como inadequada para a transmissão do saber, este espanhol emigrado defendia que o sábio apenas deve utilizar a palavra e a língua do povo: é nelas que se revela o falso, o provável e o verdadeiro.
Novas realidades acarretam outras formas de organização social, estas dão origem a diferentes funções sociais que, por seu lado, arrastam novos saberes, conducentes a verdades até aí desconhecidas, solicitando inovadoras linguagens: este é o lastro institucional das novas aplicações sociais da retórica ou uma nova organização desta, que denominamos literário-cultural ao serviço do Estado moderno emergente. Dela se desprende uma fala diplomática ao serviço da Realeza, do Estado ou da República, cujas virtudes recebem denominações várias, conforme a sensibilidade dos autores, e edificam o funcionário daquelas instituições, cuja tarefa é a comunicação do saber e da verdade: moralidade, modéstia, reserva, concisão; habilidade, dignidade, doçura e cortesia; afabilidade, moderação e benevolência; graça, autoridade, honestidade e integridade.
A metodologia segue de perto a análise de conteúdo, tomando em consideração a concepção e estrutura da obra, em estudo, a abordagem clássica da disciplina e o envolvimento social da época. Do percurso discursivo poder-se-á concluir que a actualidade do autor se entrevê na abordagem posterior da retórica e do seu ensino e, ainda, na construção do currículo das línguas tanto no liceu liberal como na actual escola secundária.
O Livro de Eclesiastes na sua vertente histórico-filológica
Manuel Augusto Rodrigues
Universidade de Coimbra
marodrigues@ci.uc.pt
Foi a todos os títulos notável a descoberta feita pelo Doutor T. F. Earle, professor de Estudos Portugueses na Universidade de Oxford, do «Livro de Eclesiastes» de Damião de Góis.
O erudito professor, que tão valiosos contributos tem prestado à Cultura Portuguesa, deu-o depois à luz da estampa em 2002 através da Fundação Calouste Gulbenkian (fac-simile da edição de Veneza, oficinas de Stevão Sábio, 1538; edição crítica com introdução e enriquecida com um glossário e bibliografia).
Pensámos oportuno na circunstância do «Colóquio “Gramática e Humanismo” de Homenagem a Amadeu Torres», brilhante estudioso da obra de Damião de Góis, abordar o «Livro de Eclesiastes”, essencialmente numa perspectiva histórico-filológica, tendo em atenção as interpretações do passado e a forma como o texto hoje é entendido à luz das novas aquisições histórico-linguísticas, nomeadamente do idioma hebraico, e também dos progressos da exegese contemporânea.
I. – O «Qohéleth», incluído na Bíblia Hebraica entre os «Escritos» («Khetubîm», grupo dos «Meghillôth»), intitulado «’Ekklesiastés» na versão grega dos Setenta e figurando aí entre os poéticos e na Vulgata (e Nova Vulgata) entre os sapienciais, foi desde a era patrística comentado por vários autores judeus e cristãos, por exemplo S. Jerónimo, Abraham Ibn Ezra, Robert Estienne, Johannes Campense, Nicolau de Lira, Sebastian Münster, Francisco Sánchez, Jerónimo Osório, Lutero e outros. Mas foi, indiscutivelmente, nos sécs. XIX-XX que se assistiu a um maior número de traduções, estudos e comentários ao «Qohéleth».
II. – São muitas as questões que se podem colocar a seu respeito: o nome, o conteúdo e finalidade, a atribuição salomónica, o autor e composição, a doutrina religiosa e moral, os supostos erros de «Eclesiastes», a canonicidade, e a língua e forma literária.
III. – Seleccionámos algumas expressões e vocábulos e procedemos à sua análise histórico-filológica, tomando como ponto de referência a versão goesiana e tendo em consideração o Texto Masorético (TM), os Setenta (LXX) e a Vulgata (e a Nova Vulgata); servimo-nos ainda de diversos comentários e estudos modernos.
IV. – O «Qohéleth» é um livro com características especiais e escrito num hebraico peculiar (com aramaismos e helenismos de permeio), difícil, como reconheceu Góis, cuja interpretação levanta não poucos problemas de que trataremos no nosso trabalho.
Visões do outro: o castelhano na óptica dos linguistas portugueses de quinhentos
José Luís Rodríguez
Universidad de Santiago de Compostela
fgfernam@usc.es
Nos inícios do discurso metalinguístico português, que se conforma no século XVI, ao lado da habitual correlação entre língua portuguesa e língua latina, decorre (em paralelo, mas por vezes até sobreposta) a específica correlação português – castelhano/”espanhol” (termo ainda ambíguo), explicável por condicionamentos histórico-culturais conhecidos nas suas linhas básicas. Nessa situação, a língua centro-peninsular é encarada em termos multifacetados que vão da admiração (explítica ou implícita) até à nítida rejeição, ao mesmo tempo que afloram, no plano endolinguístico, perspectivas contrastivas que implicam valorações e desnudam interferências, reais ou presumíveis. O castelhano, por outra parte, monopoliza como “Outro” o discurso pan-hispano português, apagando, praticamente, o eco dos restantes idiomas peninsulares. Salientam-se, finalmente, algumas respostas castelhanas ao discurso das excelências portuguesas, com vista à sua neutralização, entre as quais destaca a teoria do castelhano primitivo de López Madera, dada a lume em 1601, que teve alguma voga na altura”.
Referencias (in)directas ao galego nos estudos
lingüísticos portugueses dos séculos XVIII e XIX
Xosé Manuel Sánchez Rei
Universidad de Coruña
sanrei@udc.es
Contrariamente ao que aconteceu noutras linguas románicas, cal o italiano, o francés etc., a póla setentrional do galego-portugués medieval, o galego, non coñecerá as súas primeiras gramáticas até a segunda metade do século XIX. Isto fai que, en ocasións, para coñecermos como podería ser o estado da lingua durante o devandito século, e tamén durante os inmediatamente anteriores, teñamos de recorrer tanto ás fontes conservadas, isto é, aos textos literarios, canto ás gramáticas portuguesas, nomeadamente naqueles aspectos fonéticos e morfolóxicos que non corresponderen ao estándar lingüístico conformado arredor do eixo Lisboa-Coímbra.
Así, a existencia dunha tradición gramatical lusitana desde 1536 coa publicación da Grammatica de João de Oliveira, mantida ininterrompidamente até a actualidade, permite aproximármonos do estado da lingua (popular) galega, xa que compartilla a maior parte dos trazos de carácter rexional ou vulgar que se tamén atestan no portugués. O noso obxectivo é salientarmos precisamente esas características que se comentan ou mesmo que se condenan como fenómenos dialectais e populares da variedade lusitana, pois moitos van presentar certas correspondencias na ribeira norte do río Miño; deste xeito, a se ter presente esa información que nos proporcionan os gramáticos de Portugal, xuntamente cos textos literarios que existen no galego, tamén se poden apuntar algúns datos valiosos para caracterizaren a linguaxe popular da Galiza.
Por outro lado, son así mesmo de utilidade os traballos de dialectoloxía desenvolvidos por José Leite de Vasconcellos nos finais do século XIX e nos comezos do XIX: resultan rendíbeis para o estudo tanto do galego como do portugués porque, en primeiro lugar, máis unha vez, aparecen fenómenos rexionais ou populares que non coincidían coa variedade padrón lisboeta, o que levou o autor a comentalos ou a singularizalos; e en segundo lugar, tamén máis noutra ocasión, a maior parte desas casuísticas encontra no galego os seus equivalentes, o que os vira úteis para nos achegarmos ao estado lingüístico da Galiza nesa época. Así, por exemplo, se xa J. Contador de Argote, no século XVIII, ou J. Soares Barboza, na centuria seguinte, atiraban setas académicas contra “os rusticos”, “os Minhotos” ou “os Algarvios” xustamente por que se detectaban na fala desas xentes fenómenos de carácter popular ou rexional, o Dr. Leite de Vasconcellos, cunha preparación filolóxica e dialectolóxica superior, vai documentar outravolta casuísticas igualmente rexionais e populares comúns no galego no referente á flexión verbal, ás tipoloxías de pronomes etc.
Da comparación das dúas marxes do río Miño canto a esa compoñenete lingüística sae como conclusión provisoria a circunstancia de que todo canto se encontrar no galego tamén se acha no portugués, e viceversa, pois todo o que se atopar no portugués existe tamén no galego. O que os diferencia é, no entanto, a distinta sorte corrida por eses fenómenos, de forma que o que actualmente na Galiza pode ser minoritario, rexional, popular etc. pode ser, en Portugal, común, estándar, habitual etc., e o que neste país pode ser esporádico, marxinal, local etc., pode encontar un equivalente habitual ou padrón na Galiza.
Martín de Braga, el primer humanista de la Gallaecia en el siglo VI
E. SÁNCHEZ SALOR
Universidad de Extremadura – España
esanchez@unex.es
El profesor Amadeu Torres ha dirigido una de sus líneas de investigación hacia temas bracarenses, con especial atención a los primeros siglos de la Iglesia de Braga y, en concreto, el historiador Orosio. Por ello me permito presentar un trabajo que se mueve en esa línea de temas bracarenses y localizado en los primeros siglos de la Iglesia de Braga y de la Gallaecia.
Martín de Braga es arzobispo de la metrópolis religiosa de Braga a mediados del siglo VI. No hace falta ponderar con palabras la importancia de este personaje para la historia de la Hispania antigua y, en concreto de, la zona noroccidental de la península. Sí voy a analizar en este trabajo la figura de Martín en dos aspectos que yo considero interesantes: por una parte es el primero que abre las mentes de los obispos gallegos e hispanos a los preceptos y normas aprobados por la iglesia oriental en diferentes concilios ecuménicos, es decir, es el primero que en Hispania practica y representa el ecumenismo; y, por otra, es también un hombre de la tierra bracarense del siglo VI en la que vive y enseña y que trata de mejorarla. Su universalismo y sus conocimientos del griego le convierten en el primer humanista de la Gallaecia; ello se expresa sobre todo en las Actas del Concilio II de Braga, que él preside y dirige, y en los Capítulos traducidos de Concilios orientales que él mismo añade como anexo a los propias actas del mismo Concilio. La misma labor universal y humanista que hace Martín de Braga entre los suevos la hace, esa misma labor es la que lleva a cabo por los mismos años Leandro de Sevilla entre los visigodos; lo que sucede es que Leandro de Sevilla practica la apertura hacia Oriente y hacia Bizancio desde una perspectiva político-religiosa y Martín de Braga lo hace desde una perspectiva fundamentalmente canónica desde sus conocimientos del griego y su aperturismo humanista.
A edição dos documentos foraleiros de Trás-os-Montes e Alto Douro
insertos na Chancelaria de D. Dinis
Maria Olinda Rodrigues Santana
Ana Lúcia Pereira Costa
Mário José da Silva Mineiro
Universidade de Trás-os-Montes
osantana@utad.pt
O primeiro passo da nossa investigação consistiu na pesquisa e arrolamento da documentação foraleira medieval outorgada a Trás-os-Montes e Alto Douro por D. Dinis e incluída nos 6 livros da sua chancelaria.
Foram inventariados e reunidos 101 documentos foraleiros colectivos compostos por diferentes tipos de documentação (forais, aforamentos colectivos, cartas de escambo, cartas de sentença, mudança, cartas de mercê, etc.), associados à formação dos concelhos ou lugares de Trás-os-Montes e Alto Douro. Constituímos também um rol de documentos foraleiros individuais, mas como estes documentos não estiveram na base da criação de concelhos transmontanos e durienses, integrarão um outro projecto.
Procedemos, igualmente, à distribuição dos documentos pelos dois actuais distritos da região (Vila Real e Bragança) de acordo com um critério geográfico.
Por fim, realizámos uma Edição Tipo 3 – paleográfica com transcrição larga em tipo normal seguindo os critérios propostos por António Emiliano (EMILIANO 2002). Optámos por este tipo de edição, porque esta apresenta um grau razoável de fidelidade aos dados textuais: um dos principais objectivos a respeitar numa edição conservadora para fins científicos. O nosso corpus de documentação foraleira dionisina integra o “corpus diacrónico do português” que está a ser construído por Michael Ferreira do “Department of Spanish and Portuguese” da “Georgetown University”.
Considerámos ainda necessário realizar uma segunda edição interpretativa para divulgação da mesma documentação junto de um público mais alargado.
Por último, forneceremos um exemplo de cada um dos tipos de edição aplicados na nossa investigação.
Pedro Veiga: um humanista português editor da Arte Poética de Horácio
Rui Manuel Formoso Nobre Santos
Instituto Politécnico da Guarda - rmfns@ipg.pt
Entre os séculos XIV e XVII, o humanismo desempenhou um papel primordial no desenvolvimento da cultura europeia. Nos seus inícios, o movimento caracterizou-se pela vontade em recuperar, interpretar e imitar os textos da antiguidade, bem como pelo estudo dos seus restos arqueológicos; contudo, pouco tardou a que se activasse um ambicioso programa cultural que influenciou praticamente todas as facetas da vida intelectual do Renascimento.
Apesar de algum atraso, Portugal não se manteve alheio aos aspectos acabados de apontar. Deles, o assunto que me proponho tratar inclui-se no primeiro, a recuperação e, até certo ponto, interpretação de textos de autores greco-latinos, no caso, de Horácio, através da sua De Arte Poetica, texto primordial da teorização literária renascentista.
É certo que não podemos encontrar, em todo século XVI português, uma reflexão independente e autónoma que permita chegar a um conjunto de leis teóricas, mais ou menos definidas, sobre a criação poética, já que os manuais de teoria eram praticamente inexistentes. Se algo havia, não ultrapassava o âmbito limitado de certos capítulos que, na tradição do ensino da Gramática, se dedicavam ao estudo da versificação. Mesmo assim, os poucos preceitos teóricos sobre que se estruturava o ensino da Poética derivavam, em Portugal, como no resto da Europa, das obras dos principais teorizadores greco-latinos, sobretudo das Poéticas de Aristóteles e Horácio.
Destes, o mais importante é sem dúvida Horácio com a Epistula ad Pisones, no dizer de Aguiar e Silva, “o evangelho de ideias literárias para as primeiras gerações de humanistas da Renascença”5.
É partindo deste princípio, – de que a obra horaciana constitui o texto principal da teorização literária em Portugal e na Europa –, que procurarei lançar alguma luz sobre uma das três edições do século XVI6 do texto horaciano, em causa, a publicada, no ano de 1578, em Antuérpia, pelo português Pedro Veiga.
A abordagem da edição quinhentista do autor português na diáspora compreenderá
– a apresentação, dado o desconhecimento quase geral, dos poucos dados biográficos (económicos e culturais…) acerca de Pedro Veiga;
– a contextualização histórico-espacial da edição, que justifica a dedicatória, em texto autónomo e programático, a D. Matias, filho do Imperador Maximiliano II;
– a ponderação do grau de intervenção do editor quinhentista e a sua fidelidade à teoria original, através do confronto da Poética horaciana de Pedro Veiga com o texto canónico.
Para a história da gramática escolar portuguesa:
manifestações de um ‘mito do eterno retorno’ (o mito da gramática IV)
António Carvalho da Silva
Universidade do Minho
acsilva@iep.uminho.pt
Quando se procede à definição teórica do âmbito do ensino do Português (língua materna), aceita-se que o domínio do ensino da gramática (ou do “funcionamento da língua”, como a escola eufemisticamente a designa) se vai instituindo como um “ritual gerado e alimentado na tradição” (Sousa, 2000: 536). Em simultâneo, propõe-se a existência de um “mito da gramática (perfeita)” (Silva, 2004) que fundamenta aquele rito escolarmente repetido.
Depois de, em trabalhos anteriores, termos debatido os fundamentos desse “mito da gramática” (descrevendo as funções da gramática escolar, discutindo o seu papel normativo e avaliando a presença do tema “gramática” no discurso científico), desta feita dedicaremos alguma atenção aos aspectos históricos da gramática escolar, tentando delinear o seu sucesso editorial.
Assumindo, como hipótese, que a publicação (e sobretudo a reedição) de uma gramática escolar pode imaginar-se como a “repetição de um exemplar mítico” (Eliade, 1988: 19), temos como finalidade descrever a mudança ou a permanência histórica das gramáticas portuguesas, procurando compreender qual das forças tem mais poder na constituição histórica da gramática escolar: a tradição ou a inovação.
Adoptámos neste estudo, numa primeira fase, um método historiográfico, identificando as diferentes edições e tiragens de um corpus de cerca de duas dezenas de gramáticas escolares portuguesas, publicadas desde 1970, actualmente ainda em circulação e que correspondem ao universo das gramáticas escolares portuguesas para o 3º Ciclo e para o Ensino Secundário.
Numa segunda fase, usando um método de análise contrastiva, procuramos determinar as versões (ou seja, as publicações com alterações textuais) de cada uma das gramáticas que constituem esse corpus.
Apresentar-se-ão, pois, nesta comunicação alguns dados dessas duas dimensões da análise que está ainda em desenvolvimento. Mesmo que provisória, a principal conclusão a que se chegará é que a (re)publicação de gramáticas escolares (mesmo com a existência de “novos programas” a que a gramática escolar discursivamente se diz submeter) parece ser, de facto, a manutenção do ritual de eterno retorno às origens de um modelo de gramática que sói designar-se tradicional.
Se, como afirma Cardoso (1994: 13) na sua Historiografia Gramatical que tomaremos como referência, este de tipo de estudos “não é nem pode ser um trabalho acabado”, porque “há ainda muitas pesquisas a fazer”, poderemos, pelo menos, começar assim a compreender melhor a organização intrínseca da “instituição” gramática escolar (portuguesa), que, salvo raras excepções, permanece igual a si mesma neste dealbar do século XXI.
Gramática e contexto: descontextualizar ou recontextualizar?
Augusto Soares da Silva
Universidade Católica Portuguesa – Braga
assilva@facfil.ucp.pt
Entendendo contexto como ambiente sócio-cultural da linguagem, como nível performativo do uso linguístico e ainda como bases cognitivas e experienciais dos falantes, deve a Gramática descontextualizar ou (re)contextualizar? A resposta será dada em dois planos: historicamente, procurando interpretar os grandes momentos do desenvolvimento da Gramática, e programaticamente, identificando os que já são e os que aspiram a ser os principais programas de análise gramatical.
Depois de uma gramática em contexto(s), como foi a gramática tradicional e a gramática histórica, assistimos, ao longo do século XX, a uma sucessão de movimentos de descontextualização e recontextualização da gramática, nomeadamente a gramática dividida (Saussure), a gramática isolada (Chomsky) e a gramática recontextualizada (linguística pós-chomskyana). O movimento descontextualizador tem a sua expressão mais elaborada na Gramática Generativa: a perspectiva genética assumida por Chomsky decorre da sua falta de interesse pela dimensão sócio-cultural da linguagem e conduz a uma des-semantização da gramática. A recontextualização da gramática tem sido feita nas últimas duas décadas, pela reintrodução do léxico na gramática, pela assunção da centralidade do significado na arquitectura gramatical, pelo restabelecimento da ligação entre gramática e performance e, embora ainda como tendência minoritária, pelo renovado interesse pelos fenómenos sociogramaticais e reintrodução da análise variacionista.
Argumentar-se-á a favor de uma gramática recontextualizada e mostrar-se-á que é o recente paradigma da Linguística Cognitiva o que melhor corporiza estes quatro programas de recontextualização. Finalmente, como aplicação do último programa recontextualizador - o variacionista -, apresentaremos os elementos para o estudo da convergência e divergência na Gramática do Português, envolvendo as variedades europeia e brasileira.
Influências da Eneida, de Virgílio, na catábase d’ Os Lusíadas, de Camões – uma proposta de abordagem escolar
Lino Moreira da Silva
Universidade do Minho
lmoreira@iep.uminho.pt
É de aceitação comum a actualidade da cultura clássica, do grego e do latim, e das realizações literárias clássicas do Renascimento, e a sua importância na formação dos indivíduos e na construção de sucesso educativo na escola.
Ora, a cultura clássica não é, hoje, convincentemente focalizada em termos educativos. Os programas de ensino pouco a recomendam, os professores não se lhe referem e estão cada vez menos preparados para o fazer, os alunos não se sentem motivados para ela. Por isso, está a passar à margem das escolas esse insubstituível veículo de informação, formação, transmissão estético-literária e cultural que a cultura clássica representa.
Importando denunciar (e contrariar) a situação, e valorizando a nossa epopeia nacional (uma epopeia renascentista), o autor da presente comunicação vai retomar o importante, embora pouco estudado, “episódio” da catábase marinha (canto VI, de Os Lusíadas), na relação que ele tem com a Eneida, de Virgílio, para:
a) Procurar combater, fundamentadamente, os pressupostos apresentados.
b) Justificar que, embora a catábase de Os Lusíadas não seja coincidente com a catábase da Eneida (esta constitui-se na parte ideologicamente mais significativa da obra, enquanto que a de Os Lusíadas se fica por um segundo consílio dos deuses, desta vez realizado no mar), há entre ambas aproximações que é preciso pôr em destaque.
c) Sistematizar, especificamente, as influências (directas e indirectas) da Eneida, de Virgílio, sobre a catábase de Os Lusíadas (semelhanças, diferenças, interacções).
d) Enunciar uma proposta de abordagem textual, para o episódio camoniano, capaz de motivar e fundamentar o seu estudo e o estudo da relação que o mesmo episódio estabelece com a epopeia virgiliana.
Dos mitos em Camões a Camões mito
Maria Luísa de Castro Soares
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
tanitik@gmail.com
Dos mitos em Camões a Camões mito Camões compreendeu, perpetuou e recriou a mitologia Antiga e ele próprio se tornou modelo mítico. Nas Rimas e n’ Os Lusíadas dá a conhecer ao leitor, instrumentalizando-a, a mitologia clássica para depois da morte – e devido a uma biografia lacunar – se tornar ele mesmo, enquanto homem e poeta, um mito popular e literário. A fortuna literária de Camões, mal reconhecida em vida, elevou-o post mortem a símbolo de portugalidade e da consciência poética. É como se a obra camoniana desse resposta a cada um dos poetas posteriores ou lhes abrisse campo a explicações, interpretações ou aproveitamentos ao sabor das circunstâncias epocais. Ao dar sentido mítico à história nacional, através d’ Os Lusíadas, Camões com a sua obra tornaram-se para a comunidade portuguesa arquétipos ou modelos míticos dessa mesma comunidade. Daí que, de século para século, Camões e Os Lusíadas sejam identificados com um povo inteiro. A dimensão mítica da biografia camoniana, a obra lírica e sobretudo a fortuna literária da sua epopeia, «Bíblia da Pátria» e espelho em que todo um povo se revê são importantes para os «exegetas» do mito e para os defensores de uma verdadeira ontologia da portugalidade.
Cognição e categorias: os conceitos de “fruto” e “fruta”
José Teixeira
Universidade do Minho
jsteixeira@ilch.uminho.pt
Através da análise dos resultados de algumas centenas de inquéritos sobre o conceito de “fruto”, procurar-se-á pôr em relevo como é que, para a Linguística Cognitiva, a conceptualização é o resultado de interacções entre os mecanismos linguísticos e os restantes mecanismos cognitivos, organizando-se, as categorias resultantes, em blocos de estrutura prototípica.
A organização prototípica das categorias pode ser, assim, bastante reveladora da forma como a lexicalização linguística é simultaneamente resultado e causa das percepções que uma comunidade linguística tem do mundo e das vivências sobre ele construídas. Noções como a de “significado corporizado” são, para a perspectiva cognitiva, o reflexo de que não é possível separar de forma rígida, como as semânticas de fundamentação lógica o pretendem, o conhecimento linguístico e o chamado “conhecimento do mundo”.
Pedro João Perpinhão, historiador
Helena Maria Ribeiro Almeida Costa Toipa
Universidade Católica Portuguesa – Viseu
helenacosta@crb.ucp.pt
Esta comunicação pretende revelar os critérios adoptados pelo padre jesuíta Pedro João Perpinhão (orador valenciano do século XVI, residente durante alguns anos em Portugal, escolhido pela Companhia de Jesus para as ocasiões solenes, e professor do Colégio das Artes, em Coimbra, entre 1555 e 1560) na composição da sua monografia sobre a vida da Rainha Santa Isabel (De uita et moribus B. Elisabethae Lusitaniae Reginae libri III).
A partir da análise deste texto e de outros textos do mesmo autor, pretendemos tirar algumas conclusões sobre a influência dos autores clássicos (Cícero, Luciano, Tito Lívio, entre outros), na forma como Perpinhão traçou a biografia da Rainha Santa. Salientar-se-ão, no texto em análise, a fidelidade às fontes escritas e a confiança os documentos; a dúvida razoável na aceitação da tradição oral; a necessidade de distinguir história e lenda; a valorização da experiência pessoal e do testemunho presencial; o desejo de rigor; a noção da história como repositório de exemplos instrutivos a seguir ou a evitar; a situação no espaço e no tempo dos acontecimentos; a descrição de locais e monumentos; o uso do discurso directo. Estes critérios serão relacionados com os dos autores clássicos, recorrendo nomeadamente aos textos dos historiadores antigos, que Perpinhão tão bem conheceria, pela sua formação e pelo seu magistério, uma vez que esses mesmos autores faziam parte dos planos de estudos do Colégo das Artes (como se pode constatar num opúsculo do próprio Perpinhão intitulado De ratione liberorum instituendorum litteris Graecis et Latinis, siue Epistola Petri Perpiniani ad Franciscum Adornum) e nos de outros colégios de jesuítas.
Poética trágica e clássica no teatro bíblico dos jesuítas
Margarida Miranda
Universidade de Coimbra
mlopesmiranda@sapo.pt
As primeiras tragédias jesuíticas representadas em Portugal, no Colégio das Artes de Coimbra, em 1559 e 1562, foram também as primeiras tragédias que a Companhia de Jesus fez representar em Roma, no Colégio Germânico, para depois promover aquele género dramático e musical na sua vasta rede de estabelecimentos escolares, em toda a Europa, muito antes da criação definitiva da Ratio Studiorum.
A minha comunicação pretende descrever a concepção poética e dramática daquele género que, além de ter aberto caminho na Europa para o drama per musica, veio a alcançar uma dimensão internacional nunca antes alcançada pela produção literária jesuítica.
Trata-se, na verdade, de um teatro nascido no meio escolar, integralmente em língua latina, mas nem por isso destituído de valor artístico intrínseco, e de um grande potencial de espectacularidade
Os mitos e motivos clássicos eram naturalmente um elemento indispensável na inuentio e na elocutio trágicas renascentistas. O mais notável, porém, é que o dramaturgo jesuíta em análise – Miguel Venegas, a quem podemos considerar o criador do género, um jesuíta formado no humanismo de Alcalá de Henares, no seio do qual nascera a famosa Poliglota Complutense – o tenha feito numa tragédia sacra, de inspiração rigorosamente bíblica.
Por outras palavras, pretende-se demonstrar como o poeta soube descobrir na história bíblica as matrizes do género trágico pagão, e produzir um teatro de objectivos catequéticos e moralizantes mas ao mesmo tempo artísticos e profundamente retóricos. Na descrição desta poética trágica será dado particular relevo à elaboração poética do horrendo, um aspecto intimamente ligado à moderna teorização literária sobre a tragédia., e concebido como instrumento de exaltação de sentimentos e de edificação moral.
Miguel Venegas mostra conhecer bem as exigências do género trágico. Mostra uma concepção trágica reflectida, distante das formas híbridas que caracterizavam o teatro jesuítico em Espanha, mas também distante das tragicomédias do seu mais célebre discípulo, Luís das Cruz. Para esse efeito concorre uma ousada síntese entre a imagética bíblica cristã e a imagética clássica pagã, uma síntese que se estende desde a mais simples evocação de nomes e de motivos poéticos até à mais complexa construção de personagens que recriam as grandes personagens do imaginário clássico (Medeia, Clitemnestra, Dido, Tirésias, Atreu, são representadas quais alegorias trágicas, sob o nome de Jezabel, de Elias e de Acab).
Paralelismos de personagens e de situações bíblicas ofereciam ao poeta poderosas afinidades com o género trágico antigo, sem deixar de obedecer simultaneamente à mais rigorosa e actual sensibilidade exegética, e aos mais inovadores preceitos estético-literários.
O Ignatiados (1635) de António Figueira Durão
Carlota Maria Lopes de Miranda Urbano
Universidade de Coimbra
camirurb@ci.uc.pt
Esta comunicação propõe-se apresentar um poema épico novilatino em três cantos, o Ignatiados, cujo herói é fundamentalmente (mas não só) St.º Inácio de Loiola. Escrito por António Figueira Durão, um jovem estudante de um Colégio da Companhia de Jesus, como pretendemos demonstrar nesta comunicação, o Ignatiados apresenta-se como uma obra de muito interesse a vários títulos. Ele começa por resultar de um exercício literário, o que faz dele um documento da pedagogia do seu tempo, para se afirmar como um esboço da epopeia da Companhia de Jesus em que nenhuma das vertentes desta Ordem religiosa é esquecida. Como poema hagiográfico o Ignatiados revela-se bastante original no conjunto dos poemas heróicos sobre St. Inácio já existentes à altura. Ele é o primeiro, tanto quanto sabemos, e único em Portugal, composto no metro e língua latinos e denuncia claramente a sua filiação na épica de cunho renascentista, fiel à tradição clássica.
Pouco tradicional enquanto poema hagiográfico e emulador dos cânones clássicos, o Ignatiados é um documento da fecunda interacção entre o imaginário clássico e o imaginário cristão, entre as fontes literárias clássicas como a Eneida de Virgílio, ou a Farsália de Lucano, as fontes literárias hagiográficas, como a biografia de St. Inácio de Pedro Ribadeneira e as ressonâncias do corpus bíblico.
Enquanto documento da hagiografia coeva das reformas católica e protestante, o Ignatiados constitui mais do que um eco das polémicas doutrinais e das lutas religiosas. Mais interessante ainda é o facto de este poema épico deixar transparecer com notável clareza o evidente cruzamento entre as noções de heroísmo e de santidade que caracteriza os séc. XVI e XVII da cultura ocidental na sua interpretação da santidade em clave heróica.
(Footnotes)
1 Dissertação de mestrado em Linguística Portuguesa apresentada, em 1999, à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com o título
A morfologia verbal do galego-português.Contributos para um estudo sincrónico-descritivo
, realizada sob orientação científica da Professora Doutora Clarinda de Azevedo Maia.
2 Para que os participantes possam acompanhar a leitura da comunicação, ser-lhes-á fornecido um documento com exemplos de formas verbais e respectivas abonações.
3
Sá de Miranda,
Obras Completas
, II vols., Sá da Costa, Lisboa, 1937.
4 Maria Leonor Carvalhão Buescu,
Literatura Portuguesa Clássica
, Universidade Aberta, Lisboa, 1992.
5 Vítor Manuel de Aguiar e Silva,
Teoria da Literatura
, Coimbra, Almedina, 1991, p.509.
6 Duas outras edições, estas comentário, são da responsabilidade de Aquiles Estaco, publicada em 1553; e de Tomé Correia, em 1587.
COLUNA DE LÍNGUA PORTUGUESA*Antonio Martins de Araujo (A.B.B. / A.M.L / ANPOLL
Especial para o Correio dos MunicípiosColóquio Internacional de Língua Portuguesa