Caravanas de ruralistas caminharam pelas ruas de São Luís na segunda-feira, 17, protestando contra o boicote dos senadores maranhenses ao empréstimo de U$ 30 milhões que o Governo do Estado quer contratar para investir em ações de melhoria de qualidade de vida no campo. O ato político foi denominado “Maranhão Urgente” e reuniu mais de 18 mil pessoas. Os recursos serão aplicados no Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão (Prodim) e estão sendo solicitados desde o ano passado. A liberação depende apenas da aprovação do Senado.
O Governador José Reinaldo Tavares e o presidente da Assembléia Legislativa, João Evangelista, classificaram a iniciativa dos produtores rurais como reflexo do sentimento de liberdade do povo desencantado, perplexo, sem entender porque uma ação destinada a melhorar sua vida é ignorada por quem deveria lutar por melhores condições de vida para comunidades sofridas.
Participantes – Da marcha participaram estudantes, trabalhadores urbanos e rurais, líderes sindicais e comunitários, vereadores, deputados estaduais e federais, prefeitos e vice-prefeitos, representantes de organizações sociais. Todos manifestaram preocupação com o prazo para a consecução do empréstimo – 18 de novembro de 2005 – data-limite para a assinatura do convênio entre o Governo do Maranhão e o Banco Mundial. Serão beneficiados os 100 mais pobres municípios do Maranhão.
Para o deputado Aderson Lago (PSDB) a Frente de Libertação ganhou força com a demonstração de coragem de um povo que sabe lutar pelo que precisa. O parlamentar anteviu na manifestação a vontade que os maranhenses hoje sentem de erradicar a oligarquia (referindo-se ao grupo Sarney) do poder, cujo mando “vai ao chão” a partir de outubro de 2006, preconizou.
Grito de vitória – Para a deputada Telma Pinheiro (PSDB) a multidão demonstrou revolta pelos políticos que têm impedido o desenvolvimento do Maranhão. “E mostrou ao Brasil que o Maranhão se agacha, não se intimida com a posição de políticos que não têm escrúpulos e impedem que seu próprio povo receba recursos para a melhoria de sua qualidade de vida”. E concluiu: “Hoje é o grito de vitória do Maranhão, de milhares de pessoas que querem que o Estado saia desta dominação nociva e terrível” instalada há 40 anos”.
Julião Amim (PDT) entendeu o ato cívico “como o primeiro passo da caminhada pela liberdade do Maranhão. Considerou ser a hora de todos ficarem livres “desses coronéis que tentaram massacrar a maioria da população de nosso Estado”. Amin satirizou: “O projeto ainda não foi aprovado porque o dinheiro será destinado aos maranhenses mais pobres. Quando é para o rico, eles aprovam. Nós queremos agora que eles aprovem aquilo que é do pobre e eles tiraram”.
Na opinião do deputado Antonio Carlos Bacelar (PDT) “o povo do Maranhão, desde os lugares mais distantes do Estado, está indignado com a proibição da liberação do empréstimo para beneficiar os mais humildes. Esse gesto é uma afronta contra as pessoas mais necessitadas do nosso Estado”.